quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Responsabilidade e bom senso … - Crónica 21

(continuação da anterior)
Quer para com as Pessoas quer para com o Planeta (afinal não vai dar no mesmo?!), chegou a hora da responsabilidade. A próxima cimeira da terra (Dez. em Copenhaga) está aí, a clamar atenção e a dar-nos mais uma chance.
2010 será o ano a Biodiversidade e a União Internacional para a Conservação da Natureza (www.iucn.org) estima que 1 em cada 3 animais (são 18.000 espécies!!!) estão em vias de extinção – não por causas naturais mas pela afectação do seu habitat. O sapo anão da Tanzânia é apenas um exemplo. A causa ? O Homem (construiu uma barragem sobre o único habitat da espécie). Outras afecções graves da Terra: o topo do Kilimanjaro perdeu até 2007, 85% do gêlo que tinha em 1912 (segundo a Times) … O projecto Ice Care (www.icecare.org) está a divulgar o problema, e a viagem ao cume da mais alta montanha de África coincide com o inicio daquela cimeira.
Fernando Nobre, fundador da AMI, num grito de revolta, escreveu (em ‘Viagens contra a indiferença’): “Estamos num mundo em que se quer fazer do capitalismo feroz uma religião e da miséria e da pobreza pecados mortais. Estou cansado: recuso-me a tal desvario” e “Os yuppies das bolsas, da economia especulativa e das politicas irresponsáveis têm de ser tratados: subscrevo-hes doses maciças de bom-senso e de humanidade. Deixem-se de planar, meus senhores! Voltem à Terra que é tão bela e merece viver!! Acordem por favor! Se assim não for, voltaremos às instabilidades e às guerras”. É hora de intervir e de ser muito mais responsável.
Ver video da Greenpeace: http://www.greenpeace.org/portugal/videos/o-fundo-da-linha?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=roadtour4b

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Hora de responsabilidade … - Crónica 20

Nos dias conturbados em que vivemos, com os sucessivos escândalos económicos protagonizados pelos nossos politicos (alguns ex-), vem a propósito um trecho do meu próximo livro (já terminado e a aguardar publicação – http://aventuraaomaximo.blogspot.com/). Não para apaziguar a revolta que sentimos, mas para mostrar que há muito que os desportistas estão num domínio muito superior ao dos politicos, no plano ético e moral. (foto: glaciar Aletsch em agonia)
Em ‘Os novos Exploradores e a Aventura dos Sentidos’, escrevi: «O novelista inglês, Philip Kerr, autor do livro ‘The Book of Lies’, uma antologia de contos de falsidades, explica como as pessoas terão desenvolvido uma atitude de resignação face aos escândalos sem fim, que se verificam no mundo da politica e dos negócios (dos casos de inside trading aos de financiamento de campanhas partidárias, etc). Mas aceitar isso num desportista ou aventureiro, é outra coisa: “o desporto parece ser muito mais importante para as pessoas do que a politica (…) O desporto cruza as fronteiras étnicas e partidárias. Ocupa um dominio superior, e torna-se muito mais decepcionante quando figuras do desporto revelam ser, afinal, como toda a gente”. De acordo com esta análise parece estar o sociólogo australiano, John Barnes, autor do livro ‘A Pack of Lies’ - um estudo da história e sociologia da mentira. Diz ele que “o desporto implica um contraste com as considerações mundanas de trabalhar para ganhar a vida (…) Ser um desportista significa ser altruista.» …
Um amigo (que afinal eu não conheço assim tão bem) queixava-se que para fazer 5 milhões (possivel em Inglaterra mas não em Portigal, dizia) “não basta roubar, é preciso roubar muito” …. Questiono eu: mas porque é que se criou esta mania de que é preciso ter milhões para viver bem ?!? Lembro uma citação em ‘Viagens na minha Terra’ de Almeida Garrett (crónica de 19-07.09): “E eu pergunto … se já calcularam o número de indíviduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, … para produzir um rico. (…) cada homem rico, abastado, custa centos de infelizes, de miseráveis.”
Fernando Nobre, fundador da AMI, conta no seu livro ‘Viagens contra a indiferença’, a longa caminhada de mais de 25 anos da sua “saga humanitária” para combater o que considera “as duas piores doenças da Humanidade: a Indiferença e a Intolerância”. Ora, nesta altura, parece-me que ‘responsabilidade’, ou neste caso a falta dela, é outra das ‘doenças’ que mais afecta a nossa sociedade e caberia neste lote. Falta-nos ‘responsabilidade’ para lidar com os problemas das pessoas, os problemas do país e os do planeta. Neste momento discute-se o futuro do planeta (na preparação da cimeira de Copenhaga) e parece que não há sensibilidade nem coragem politica para tomar as medidas necessárias. Creio que só chega a ver este problema com clareza alguém que passe por uma destas combinações (dose de ironia): inteligência e sensibilidade; muito dinheiro e aborrecimento; educação (académica) e séria degradação das condições económicas (foi o meu caso). Pede-se responsabilidade e bom senso …

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Os reis da democracia … - Crónica 19

As professoras da escola contavam-nos como rei e vassalos, senhores das terras, cobravam o ‘dízimo’ ao povo. ‘Crápulas’, pensáva-mos, e ria-mos à sucapa, com ironia. Hoje aceitamos como natural a cobrança de impostos, mas os ‘novos reis’ já não cobram apenas 10% … Chegámos aos 21% (IVA), fora o IRS e mais não-sei-quanto de impostos indirectos !!! Tudo para alimentar o apetite devorador de um Estado completamente mal gerido (podemos falar em gestão, quando a maioria dos decisores, politicos e autarcas, nem sequer são gestores de formação ?!). Uma das primeiras regras a apreender num curso de gestão é: só existe necessidade de ‘gerir’ quando os recursos existentes são limitados. Ora, parece que no caso de algumas autarquias, os seus dirigentes pensam que os recursos são ilimitados … (as autarquias, supostamente, não se podem endividar, mas em Portugal fazem-no uma em cada seis)

A maioria continua a acreditar na falácia mais bem preservada dos últimos tempos – a de que “a democracia não é um sistema perfeito, mas é o melhor que temos”. É que agora, em vez de o poder se concentrar numa pessoa só, ele concentra-se em várias. Cada uma delas constitui o seu feudo, impenetrável, com a sua teia de compadrios e favores. E vai ‘chupando’ o que pode … Temos assim vários ‘reis’, em vez de um só. Chamam-lhe ‘democracia’, mas na verdade vivemos numa espécie de … ‘poli-monarquia’! Estas pessoas apegam-se ao lugar, que consideram seu, formando ‘clubes herméticos’ de dificil acesso. Na verdade, deveria haver uma rotação obrigatória de cargos de poder. Sem deixar prolongar mandatos nem, sobretudo, acumular cargos. Sem deixar que uns estendam as suas redes de poder e se acomodem (veja-se a vergonha do governo da Madeira!!! E da Câmara de Oeiras, cujo Presidente nunca explicou as suas contas na Suiça). A melhor forma de democracia alcança-se partilhando mais os cargos importantes: que sejam mais a ter a responsabilidade e o aparente ‘benefício’ do posto que têm.

Ainda há quem defenda (nas alas liberais) que para termos bons politicos, temos que lhes pagar bem … Visão economicista esta, que pretende demonstrar que o politico é bom se receber muito dinheiro, mas esquece que uma visão humanista demonstraria que aquele que faz depender a sua bondade da quantidade de dinheiro a receber, então não pode ser boa pessoa. Isso tem outro nome …

É claro que podemos (re)inventar sistemas melhores. Que fossem beber e misturem um pouco das várias correntes politicas. Até o comunismo tem os seu pontos positivos, se aplicados a certos aspectos da sociedade. O primado do capital sobre tudo o resto é que já provou ser profundamente injusto e irresponsável. Uma maior partilha de cargos, por exemplo, reduziria o custo de oportunidade geral: é que por cada cargo acumulado e ocupado por mais tempo, são mais as pessoas que deixam de poder aspirar a essa posição (na politica, como nos negócios) - visão economicista, com lado humanista !

sábado, 1 de agosto de 2009

Coisas à medida do Homem - Crónica 18




Diz a anedota que se deves mil ao banco estás tramado, mas se deves um milhão, então é o banco que está tramado …; a empresa seguradora americana AIG era ‘demasiado grande para deixar cair’; a barragem das 3 Gargantas na China é tão grande que em caso de ruptura o desastre consequente pode provocar até 75 milhões de vítimas (mais em http://aventuraaomaximo.blogspot.com/, Abril 09). Entretanto, o economista George Soros disse (em Junho) que a China “irá liderar a recuperação económica …”. Mas o crescimento anual de dois digitos da China pode bem vir a provocar o próximo ‘crash’ global, pois não é possivel de manter indefinidamente. A China corre o risco de se tornar na vitima do seu próprio crescimento descontrolado, e com ela arrastar toda a economia mundial !!! O mundo está pejado de exemplos de coisas que ultrapassam as nossas medidas e capacidade de domínio. A ambição desmesurada do Homem é, frequentemente, a causa da sua própria ruína.

domingo, 19 de julho de 2009

Quixote, felicidade e poluição ... - Crónica 17

Tudo sobre viagens procuro e quero devorar. De tanto querer explorar, com Almeida Garrett fui dar … Ele teve algo de viajante, mas ‘Viagens na minha Terra’ tem pouco de viagem, no sentido da ‘exploração’ que procuro. O passeio à Azambuja, Cartaxo e Santarém, parece apenas um pretexto para a sua prosa romântica, as suas divagações sobre literatura, politica e sociedade. No entanto, nesse livro, que tanto desdém nos suscitou nos tempos de escola, por desadequado àquelas idades (ainda hoje não serve para leituras à pressa) – o livro passou-me quase despercebido (fora a história da Joaninha)-, encontrei agora algumas pérolas que parecem ainda actuais. Garrett ironizava: “… macademizai estradas; fazei caminhos de ferro; construí passarolas de Ícaro, para andar, a qual mais depressa, estas horas contadas de uma vida toda material, maçuda e grossa, como tendes feito esta que Deus nos deu (…) reduzi tudo a cifras, todas as considerações deste mundo a equações de interesse corporal; comprai, vendei, agiotai. – No fim de tudo isto, o que lucrou a espécie humana? Que há mais umas poucas de dúzias de homens ricos. E eu pergunto aos economistas-políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indíviduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico. (…) cada homem rico, abastado, custa centos de infelizes, de miseráveis. Logo, a nação mais feliz não é a mais rica. Logo, o princípio utilitário é a mamona da injustiça e da reprovação …”

Num ‘Trecho do novo livro Os Novos Exploradores e a Aventura dos Sentidos’, que escrevi no blog http://aventuraaomaximo.blogspot.com/, de Abril 09, dizia que «segundo o ‘Índice Planeta Feliz’ de 2006, da Fundação Nova Economia, com toda a relatividade de uma medição desta natureza, os países ricos do norte da América e Europa apresentam, sem surpresas, os mais altos índices de felicidade (“Muito feliz”). Dinamarca e Suiça encabeçam a lista. Estudos demonstraram uma relação directa entre o nível de educação de uma população e a sua felicidade. Poderiamos intuir aqui, também, uma relação entre riqueza material e felicidade …. No entanto, alguns estados insulares (ilhas das Caraíbas, Malta, Seychelles, ilhas do Pacífico) surgem também entre os 25 primeiros (…) Portugal, de acordo com o Índice referido, surge ‘estranhamente’ com uma população apenas “Satisfeita”, ao lado de países africanos e da Europa de Leste/ex-União Soviética.»
Dada esta aparente contradição, posso pelo menos concluir da relação directa entre educação e felicidade, mas também entre riqueza e educação.
Por sua vez, o novo paradigma do século para a humanidade – “melhorar a qualidade de vida sem destruir o meio ambiente nessa tentativa” -, coloca a tónica nos niveis de poluição. Dessa forma, e como concluimos em recente conversa de amigos, também existe uma relação directa poluição-consumo-riqueza. E assim se chega à triste conclusão de que existe uma relação directa entre felicidade e poluição (felicidade-educação-riqueza-consumo-poluição), que domina e subjuga a sociedade ocidental actual !!! Garrett, por seu lado, concluia: “Mas aqui é que me parece uma incoerência inexplicável. A sociedade é materialista; e a literatura, que é a expressão da sociedade, é toda excessivamente e absurdamente e despropositadamente espiritualista! Sancho, rei de facto; Quixote, rei de direito.” …

segunda-feira, 6 de julho de 2009

A toda a velocidade ... - Crónica 16



Mas onde é que vai esta gente toda ?!?


Veja onde eles vão, já a seguir …

Nas Crónicas do Zézinho de 20.01.09, 29.01.09 e 05.03.09, contei sobre algumas delicias da Suiça: do carnaval, das montanhas, do ski, das loucas descidas em trenó …
Agora, descubram uma nova vertente de descida em rio … a nadar ou mesmo com um copo na mão! Passa-se no rio Aare que atravessa a cidade de Berna. De qualquer ponto alto da cidade é possivel observar ao fundo, para sul, uma barreira branca, formada pelas altas montanhas do Jungfrau e Eiger, que se erguem a 4.000 metros de alitude. Pois na primavera e verão, o desgêlo dessas montanhas alimenta a nascente do rio Aare (o Oberaarsee, alimentado pelos glaciares) e lança enormes quantidades de água nos lagos Thuner e Brienzer, que por sua vez dão volume ao Aare, a juzante. O Aare entra pelo Bieler See e flecte o seu trajecto para nordeste, continuando a receber volume de vários afluentes na sua margem direita. Acaba por desaguar no rio Reno, entre Koblenz (do latim ‘confluentia’) e Waldshut (cantão de Aargau), ao fim de 295 km. Mas, no seu percurso de cerca de 50 km entre Thun e Berna, ele corre, livre de obstáculos, a esta velocidade incrívelmente inofensiva (mas não isenta de perigos) …

segunda-feira, 30 de março de 2009

Amazónia finalmente !? – Crónica 15

Finalmente que prestam mais atenção àquela que é a casa de metade dos animais e plantas do planeta – 10 milhões de espécies. Mas finalmente, também, porque a Amazónia está à beira de enfrentar um processo de decadência irreversível !
Um novo estudo demonstrou que um terço da floresta Amazónica está em risco de desaparecer até ao final do século, se a temperatura média aumentar 2º (sem contar com a desflorestação provocada pelo Homem) – acontece que a temperatura já aumentou 0,75º. Se chegar a 1º o processo pode tornar-se irreversível …
Depois da proposta conservacionista de Lula da Silva, Presidente do Brasil, também o Princípe Charles de Inglaterra defendeu, na Conferência do Rio de Janeiro (11.03.09), que, tal como pagamos a água, a luz e o gaz também deveriamos pagar uma taxa (‘utility bill’) para preservar o pulmão da Terra.
‘O pulso da Terra’, uma edição especial de 2008 da revista National Geographic, foi dedicada ao novo paradigma do século para a humanidade – "melhorar a qualidade de vida sem destruir o meio ambiente nessa tentativa". Com os alimentos que consumimos, a madeira que cortamos, a água e os minerais que extraímos, "o ser humano utiliza hoje 30 a 50% do que produz o ecosistema global". Números preocupantes revelam do impacto do Homem no planeta Terra: a população humana atingiu a cifra de 6,6 biliões de habitantes; são já 21 as megalópolis (cidades com mais de 10 Milhões de habitantes); transformámos 35% da superficie emersa do planeta em campos de cultivo e pasto para o gado (sendo que grande parte da superficie restante é inóspita e inabitável); há 100 anos, 90% do território da Tailândia estava coberto por florestas, hoje são apenas 20% …. Mas tal crescimento desmesurado não se reflecte em prosperidade geral: os 50% da população mais pobre detém apenas 1% dos recursos mundiais, enquanto o 1% dos mais ricos detém 40% dos recursos; as duas pessoas mais ricas do mundo possuem uma fortuna superior ao PIB combinado dos 45 países mais pobres, enquanto os países do G20 (os mais ricos do mundo) controlam 86% da economia mundial !!! … Mesmo assim, alguns dos estados mais desenvolvidos do planeta ainda reivindicam a posse de porções de território no Ártico, na Antártida e, possivelmente, na Lua! (extracto do meu próximo livro ‘Os Novos Exploradores e a Aventura dos Sentidos’ – mais em http://aventuraaomaximo.blogspot.com).
Esperemos que a Amazónia não continue a contribuir para este cenário. Segundo dados oficiais, 17% do território da Amazónia (área total de 4,1 milhões de km2) foi desflorestado. Só em Junho’08 foi registada a destruição de 870km2 de floresta, uma área superior à da ilha da Madeira (em Maio, essa área equivaleu à da cidade do Rio de Janeiro), para a qual contribuio maioritariamente o Estado de Mato Grosso. Esta desflorestação é responsável por 80% dos gases que provocam o efeito de estufa no Brasil…
A referida proposta do governo de Luiz Inácio Lula da Silva foi a criação do ‘Fundo Amazónia’ (a 1.Agosto.08, por decreto presidencial). Este fundo de gestão independente por parte do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social), com um capital previsto de 900 milhões de dólares (os 100M iniciais doados pela Noruega), tem por objectivos: financiar actividades sustentáveis e outras práticas ambientalmente correctas (incluindo pesquisa científica e tecnológica de apoio a tais práticas), investir em acções de prevenção, monitorização e combate à desflorestação no Brasil.
Para a Greenpeace Brasil, a criação deste fundo significa a aceitação da "relação entre o aquecimento global e a preservação da floresta" por parte do governo. Para um comentador (Gamarra, in FolhaOnline) não é mais do que um derroche – desde 2006 o governo distribuío mais de 532 milhões de Reais por 350 ONG’s que trabalham na Amazónia (só a Fundação Poceti foi ‘agraciada’ com 3,9M). "E a farra com o dinheiro público continua …", concluía …
Apenas podemos tentar imaginar os niveis de corrupção na América Latina. Mas, apesar da ‘gestão independente’ do BNDES, seria melhor que os contribuintes do fundo tivessem acesso a algum tipo de controle, tivessem o direito e o dever de conhecer em detalhe as aplicações e os resultados desses dinheiros. Tal como seria melhor que as contribuições fossem fixadas por país (de acordo com o seu nível de poluição, por exemplo), no sentido da proposta do Princípe Carlos …
(fontes: www.folha.uol.com.br de 31.07.08; http://diariodonordeste.globo.com/cadernos/internacional de 04.08.08; http://noticias.terra.com.br de 05.08.08; http://ww1.rtp.pt/noticias/ de 07.08.08)

segunda-feira, 23 de março de 2009

Valores equivocados II ! – Crónica 14 (sequência da Crónica 10 e 13)

Capitalismo em perigo ? Foi uma das perguntas mais frequentes que acompanhou o desenvolvimento da crise internacional actual. Creio que nos moldes actuais, sim. Penso que é hora de perceber que o sistema económico-financeiro não pode ser mais importante do que o sistema social de cada nação. As pessoas devem ser sempre o mais importante (não me refiro ao seu enriquecimento continuo e ilimitado, mas à garantia de cuidados minimos – alimentação, abrigo, saúde, educação e justiça) e aquele sistema deve ser uma ferramenta ao serviço destas, e não um brinquedo que alguns sabem (podem) manejar e utilizam em seu exclusivo beneficio (afinal de contas muitos limitam-se a explorar as riquezas naturais do planeta, que deviam ser cuidado e beneficio de todos).
O neo-liberalismo aplicado ao capitalismo cria uma espiral de euforia descontrolada (para não dizer uma selva) e aumenta a diferença de oportunidades e de nivel de vida entre ricos e pobres.
Isto, para dizer que concordo com um capitalismo mais controlado, balizado em determinados limites, para servir toda uma sociedade e não apenas alguma ‘elite’ mais directamente envolvida. Os americanos defendem o seu Capitalismo, como se este fosse o sistema politico que define aquele país. Esquecem-se que a Democracia é esse sistema. E que o capitalismo devia ser uma ferramenta ao serviço daquele. Também os pregões da democracia francesa – liberdade, igualdade e fraternidade – estão em perigo, ofuscados que ficam pela pujança avassaladora do sistema económico baseado no capital.
Mas os ‘culpados’ não são apenas os politicos e os empresários, mas todos nós que embarcamos no vórtice de consumo desnecessário. Seja por ignorância, por desleixo ou, muitas vezes, apenas porque estamos ‘aborrecidos’ …
A CNN apresentou uma peça com Kevin Cross - o ‘money missionaire’ (missionário do dinheiro). Tal como um pregador das novas religiões, Kevin lança um wake-up call para os maleficios do consumismo, levando as pessoas a queimar os seus cartões de crédito, com a simples filosofia de que ‘se não tens dinheiro não compras’ – muitas pessoas que aderem dizem que se sentem como que libertas de um vício …

quinta-feira, 19 de março de 2009

Os valores das sociedades ‘modernas’ – Crónica 13

"As árvores não crescem até ao céu", era uma metáfora que se escutava com frequência da boca dos entendidos da Bolsa de Valores. Significa que o valor das acções não aumenta indefinidamente. Tal como as árvores e as acções da Bolsa, também as economias do mundo não o fazem. E tanto mais perigoso se torna o processo quando essas economias crescem a taxas elevadas porque será mais dificil manter esses niveis de crescimento.
O nivel elevado de crescimento de uma economia só é ‘sustentável’ enquanto existir ‘combustível’ para o alimentar (nesta caso o combustível são os consumidores). Nas economias ocidentais, em que uma elevada percentagem da população já tem um pouco de tudo o que é oferecido pelo mercado (qualquer ‘careta’ tem um Mercedes, se quiser), o que faz falta para alimentar os delirios megalómanos de empresários insaciáveis e a visão limitada de politicos irresponsáveis, é criar novos consumidores (ou aumentar o nível de consumo, recorrendo ao endividamento por exemplo). Para tal assistimos a estratégias e apelos descabelados ao consumismo: "because some of us were born to shop" (‘porque alguns de nós nasceram para fazer compras’ !!!), é a solução da Fly Emirates; incentivos à natalidade, é a politica de empresas japonesas; …
A CNN noticiou criticas generalizadas à suposta sumptuosa festa de aniversário do líder governamental do Zimbabué, Robert Mugabe, numa altura em que o seu povo atravessa momentos de extrema carência … Mas o que fazem alguns governos de economias capitalistas do ocidente não é exactamente o mesmo, só que numa outra dimensão ? A classe politica (em especial ao nivel das autarquias) vive um dia-a-dia de luxo, enquanto inúmeras familias lutam pela sobrevivência …. O ‘G7’ representa a maior contradição (e uma face ‘horrenda’) deste mesmo sistema materialista. O que é que os 7 países mais ricos do mundo vão discutir quando se juntam, senão a forma de perpetuar o seu status, ou aumentar a sua riqueza !?! Como ajudar os países pobres ? Neste caso não tinham porque se juntar apenas os 7 mais ricos, pois não !?
O mundo capitalista, com os países anglo-saxónicos (EUA em especial) à cabeça, admira e premeia a posse de riqueza pessoal (não importa como), como se isso fosse o mais alto ‘valor’ a que se pode aspirar (a revista Forbes apresentou a lista dos novos bilionários, incluindo um dealer de droga mexicano !?! – o 700º mais rico do mundo). Temos um exemplo muito melhor de equilibrio e justiça social, vindo dos países nórdicos, e o mundo não tem porque seguir o exemplo dos EUA apenas porque eles são … mais espalhafatosos !
Vivemos num sistema em que os ‘poderosos’ tentam manter o seu status. O anti-proteccionismo (que os EUA tanto apregoam) é apenas mais uma arma das grandes potências económicas à disposição das suas multinacionais para o conseguir (entrando em novos mercados e aumentando as vendas). Mas onde é que está a justiça de uma mega-corporação (eventualmente ajudada pelo seu governo) entrar num pequeno país a concorrer com empresas de pequena dimensão aí existentes ???
O sistema alimenta-se a si próprio à custa de mais consumidores ou de mais consumo, num ciclo vicioso tipo Dona Branca, em que os últimos ficam a perder. Neste momento parece que ainda falta para se chegar aos ‘últimos’ pois das economias ‘emergentes’ surgem novas vagas de consumidores sedentos. O problema está no lado dos recursos: por um lado estima-se o limíte de alguns recursos naturais e por outro, a sobre-exploração dos mesmos acelera exponencialmente o processo de degradação do planeta …
A Dona Branca foi presa. O Bernard Madoff também. Mas o ciclo vicioso em que cairam as economias ocidentais é exactamente o mesmo … Ou seja, estão a ser apressadamente esgotados os recursos naturais que poderiam assegurar um futuro mais tranquilo, para alimentar a riqueza desmesurada de uns poucos no presente (ignorando que esses recursos deviam pertencer a todos). Em Londres, um musico bem vestido faz chacota da situação de crise internacional actual, tocando violino na rua para obter ‘gorgeta’ e expondo um cartaz elucidativo onde se lê: ‘tenho um yacht caro para sustentar…’, como quem diz com ironia clara, "por favor alimentem o meu vicio…".
Em vez de encorajar o consumismo (alimento do ego e do capricho de alguns), não seria o momento de dar atenção à ‘consciência social’ e de repensar o nosso padrão de consumo reflectindo sobre a espiral depredatória do planeta e sobre as vantagens da distribuição mais equitativa, e comedida, da riqueza ?

quarta-feira, 11 de março de 2009

Glaciares Património da Humanidade – Crónica 12

Desde 2007, a area da paisagem protegida Jungfrau-Aletsch-Bietschhorn foi aumentada de 539 km2 para 824 km2. Desta área, equivalente a 2% da superfície da Suiça (41.293 km2), 350 km2 está coberta de gêlo. 43% da área total pertence ao cantão de Berna e 57% ao cantão de Wallis. No entanto, foram 26 as comunidades locais que assinaram a declaração de compromisso para preservar a diversidade e singularidade do Sitio Património da Humanidade, como legado para as gerações futuras. A área do sitio natural inclui mais de 15 glaciares, entre os quais o mais longo da Europa – o ‘Grosser Aletschgletscher’ que, com uma superfície de 80 km2, se extende por 23 km, entre o sistema Jungfrau-Mönch e o vale do Reno. No centro deste campo de neve, o lençol de gêlo pode atingir 900 metros de espessura. O glaciar move-se vale-a-baixo a uma velocidade de 180 metros por ano mas, devido ao ‘Aquecimento Global’, ele está a retroceder entre cerca de 30 e 75 metros por ano. O limite da lingua do glaciar encontra-se agora a cerca de 1.560 metros de altitude.
Um especialista suiço em glaciologia, Tom Imbaumgartner, de Berna, disse-me que anteriormente a variação dos glaciares era medida na sua extensão, mas hoje sabe-se que a perda de um glaciar em espessura (altura) é muito mais importante.
A face norte das altas montanhas, como a Jungfrau (4.158m) e a Eiger (3.970m), constituem uma barreira natural abrupta que separa os glaciares, a sul, dos lagos e colinas verdejantes, a norte. Nas encostas dos 5 vales que se extendem a sul de Bietschhorn, como os dedos de uma mão, o cenário alpino transforma-se gradualmente, para dar lugar a uma estepe rochosa submediterrânica (no vale do Reno – Wallis). Entre estas barreiras geográficas, 90% da superfície é coberta de rocha e gêlo. Estima-se que a quantidade de gêlo atinga as 27 milhões de toneladas.
Outros pontos altos da região que desde sempre atraiu inumeros personagens do mundo das artes e da politica (o compositor alemão Felix Mendelsshon, o principe japonês Yuko Maki, Lord Byron, o estadista Winston Churchill), são: o Jungfraujoch, ou ‘Top of Europe’, a estação de comboios mais elevada da Europa (3.454m), que demorou 16 anos a terminar (em 1921), depois de evoluir pelas entranhas das montanhas Eiger e Mönch; a famosa face norte da Eiger – uma parede vertical de 1.800m sobre Grindelwald, que fascina os visitantes e foi escalada por primeira vez em 1938 (pelos alemães Andreas Heckmair e Ludwig Vörg e pelos austriacos Heinrich Harrer e Fritz Kasparek); a floresta de Aletsch – em redor da lingua do glaciar a singular população de Pinus cembra tem exemplares com 600 e 700 anos; o vale das cascatas – as faces rochosas da Jungfrau caem abruptamente sobre o vale de Lauterbrunnen com rochedos de 700 metros que formam dezenas de cascatas, entre as quais a mais conhecida, Trümmelbach Falls; também o jardim alpino natural (Alpengarten) de Schynige Platte, o lago Oeschinen, os cristais de Gertenegg, o restaurante rotativo de Schilthorn a 2.900 de altitude (onde foi rodado um filme de James Bond), …
O Jungfrau-Aletsch-Bietschhorn foi o primeiro Sitio Natural dos Alpes a ser nomeado Património da Humanidade da UNESCO (United Nations Educational Scientific and Cultural Organization). Atributos como ‘extraordinary’, ‘outstanding’ e ‘universal’, requeridos pelo Comité, permitiram a entrada deste sitio (em 2001), para o exclusivo clube que inclui outros fenómenos naturais únicos como os que se encontram no Parque Nacional Yellowstone, nos Everglades, no Serengeti, nas Ilhas Galápagos, no Grande Canyon ou na Grande Barreira de Coral…. A lista de Sitios Património da Humanidade da UNESCO, somava 878 locais (em 2008), dos quais 174 eram sitios naturais. Apenas 25 países estão representados nas duas categorias (sitios culturais e sitios naturais). A Suiça é um deles, com 6 Sitios Culturais (Antigo Centro da cidade de Berna; Convento de St. Gallen; Convento Benedictino de S. João em Müstair, Engadin; 3 Castelos de Bellinzona; Caminhos de Ferro Rhätische de Albula, Bernina; Vinhedos nos terraços de Lavaux); e 3 Sitios Naturais (Jungfrau-Aletsch, Monte San Giorgio, em Ticino, Arena Tectónica de Sardona). Mais detalhes em www.welterbe.ch, www.pronatura.ch/aletsch/ e http://glaciology.ethz.ch. Portugal está representado por 13 sitios, sendo a Floresta de Laurisilva da Madeira o único sitio natural.
O glaciar de Aletsch, será objecto da primeira viagem (prevista para Junho’09) do projecto ‘Ice Care’, em que estou envolvido. Trata-se de um dos 5 glaciares Património Mundial da UNESCO, em perigo, aos quais eu e o Zé Maria pretendemos realizar uma visita. Os objectivos desta acção são: alertar para a rápida redução da massa dos glaciares em resultado do ‘Aquecimento Global’, e consciencializar as populações para a necessidade da conservação e defesa do ambiente, racionalizando a actual exploração desenfreada de recursos naturais fósseis (poluentes) e optando pela alternativa das energias renováveis. Ver mais em http://icecare.blogspot.com e http://icecare.blogs.sapo.pt.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Mais fotos ...







Símbolos da Suiça !! – Crónica 11

Os suiços são peritos em criar e vender símbolos ‘made in Switzerland’ !
Relógios de pulso (e de cuco), chocolates, queijos, canivetes, bancos, equipamentos desportivos, cães, comboios, montanhas, percursos, resorts, hóteis, destinos, … Sejam os destinos St. Moritz, Zermatt e Davos, ou os cães São Bernardo. Os chocolates Lindt e Toblerone ou os canivetes suiços multifunções (Vitorinox e Wenger). O percurso pedestre Via Alpina, as botas Lowa ou os bastões Leki. As montanhas Jungfrau, Eiger e Matterhorn, o queijo Emmental, o fondue, os chalets, a musica popular yoddle … Os suiços são especialistas em desenvolver marcas reconhecidas internacionalmente e à cabeça estão conhecidas multinacionais como a Nestlé (chocolates, cereais, lácteos …), ou as relojoeiras Omega, Tissot, Rado, Breitling ou Swatch (esta também no ramo automóvel) ...
O Carnaval de Berna arrisca-se a tornar-se em mais um desses simbolos: decorreu no último fim de semana, concentrando-se no centro histórico da cidade (património cultural da humanidade, da UNESCO); os disfarces são muitissimo criativos, a animação é genuina e, para tal, contribuem algumas fanfarras locais que se sucedem a tocar (não em desfile mas em 3 ou 4 palcos fixos), non-stop ao longo de 3 dias …











segunda-feira, 2 de março de 2009

Valores equivocados !! - Crónica 10

Especialmente em tempos de crise acentuada, sobressaem os valores equivocados de uma sociedade. O capitalismo, se por um lado deixa realçar algumas das melhores caracteristicas do homem (iniciativa, engenhosidade, visão), por outro lado, sobretudo na sua faceta neo liberal, deixa ressaltar o pior das caracteristicas humanas (vaidade, ostentação, capricho, inveja, ganância, avareza, injustiça, desigualdade, …).
O Presidente da FPF, Gilberto Madail, veio à televisão pedir ‘desculpas’ aos portugueses pela derrota de 6-2 da selecção nacional contra a congénere brasileira. Na selecção inglesa de cricket falou-se de ‘vergonha nacional’ pela derrota a zero com a selecção das West Indies. Jornalistas do canal CNN deram mais de 10 minutos seguidos (fora as repetições) de tempo de antena, chamaram-lhe ‘top story’ e utilizaram expressões como ‘astonishing’ e ‘chocante’ para retratar o despedimento súbito de Luis Filipe Scolari das suas funções de treinador da equipa inglesa de futebol, Chelsea !?!?! Isto não é um exagero ? Trata-se apenas de um jogo. Porque é que se deposita o orgulho nacional num jogo e não na condição de vida das familias desfavorecidas.
Sempre gostei de futebol. De jogar e de assistir a ‘matches’ importantes. Mas recuso-me a discutir futebol. Penso que nenhum desporto deve merecer tanta atenção, ao ponto de entrar em detalhes ridiculos do tipo ‘o Figo constipou-se’ ou ‘Sá Pinto comeu um bife com molho de cogumelos…’. Penso que este desporto, como qualquer outro, não dever receber mais atenção do que outros assuntos sociais mais sérios e importantes, quando há pessoas a viver na miséria e, sobretudo em tempos de crise, quando estas situações se multiplicam e um crescente número de desempregados será forçado a enfrentar desafios de sobrevivência. Tal como muita gente, surpreendo-me com o tempo de antena que o futebol recebe nas televisões. Ou, quando este tema serve de noticia de abertura de qualquer serviço noticioso … Os jornalistas e os responsáveis de programação dos canais televisivos tem responsabilidades elevadas nesta matéria. E a desculpa de que ‘damos o que o público quer receber’, simplesmente não pega! Porque há públicos para tudo e muito público consome e aceita muito do que se lhe dá. Muitas vezes independentemente da qualidade, simplesmente porque é o que há no momento. Se se tratar de um mau filme de cinema ou de um artista musical de qualidade duvidosa, desde que bem promovido na televisão, será geralmente aceite.
Há uns anos, o número de casas de habitação em Portugal representava uma média de 3 casas por habitante. Pense-se no número de pessoas que não tem casa própria para imaginar o número de casas que podem chegar a ter apenas algumas pessoas … !!! Simultâneamente, têem-se ouvido noticias de gastos elevadissimos em bens materiais que não representam mais do que caprichos infantis para quem os adquire e significam a verdadeira vergonha para quem nunca poderá aspirar a ganhar esses valores numa vida e pode chegar a ter dificuldades para pagar uma alimentação adequada. Eis exemplos desses gastos, dos quais estou a reunir uma súmula para um eventual livro, a que chamarei "As maiores tolices do mundo": 200.000 euros - valor gasto no equipamento de uma cozinha por um casal alemão (Jan.09); 1,1 milhões de dólares - valor pago pela aquisição de um quadro de Vladimir Putin (representando uma janela); 14 milhões de dólares - valor pago pela matricula automóvel com o número ‘1’, nos EUA; 155.000 dólares – valor pago por uma familia pelo clone do seu cão Lancelot; 87.000 dólares – valor gasto num tapete pelo CEO da Merryl Linch, banco que faliu e pertence agora ao Bank of America (não admira … !!!). Para não falar do escândalo dos bónus que receberam altos quadros dos bancos e empresas americanas em dificuldades, com dinheiro dos contribuintes … !?!
Se o jornalismo pretende aspirar a ter um papel sério na contribuição para a justiça numa nação, é nos temas sociais que realmente caracterizam uma sociedade que deve investir mais tempo. Investigando, chamando a atenção para situações de pessoas em dificuldades e deixando de retratar algumas excentricidades com deferência submissa, mas salientando o seu lado repulsivo. A bem de valores mais nobres e da justiça social …

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Controversas 'medidas' inglesas - Crónica 9

Quando é que ‘acabam’ as excentricidades inglesas ? Ouvi na CNN (18.01.09) que o mercado de peixe de Tóquio foi encerrado aos turistas por um mês, devido a comportamentos impróprios de visitantes ingleses. Um pequeno grupo de britânicos alcoolizados, criou o caos no pacato funcionamento do mercado – um deles urinou sobre um atum congelado no valor de vários milhares de euros … !!!
Mas não era sobre isto que eu queria escrever. Gostaria que a ‘Europa’ formalizasse uma proposta honesta aos britânicos: adoptar o inglês como segunda lingua (obrigatória no sistema de ensino) em todos os países e como lingua oficial nos meios politicos e institucionais da União Europeia, em troca do abandono por parte dos britânicos de vários dos seus simbolos anacrónicos – o pound, a condução automóvel à direita, as temperaturas ‘Farenheit’ - e da sua adopção do sistema métrico. Parece-me justo. Mas, sobretudo, significativamente simplificador das relações países anglófonos versus resto do mundo …

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Mais noticias da Suiça !! - Crónica 8







Eis algumas fotografias da última Inferno Race de Mürren (um ski resort de Interlaken, Suiça). A Inferno tornou-se no no maior evento de ski amador do mundo, sendo também a mais longa e mais antiga prova. Esta e a ‘Arlberg-Kandahar’, da Austria, foram criadas em 1928, por um grupo de esquiadores fanáticos de Inglaterra, encabeçado por Sir Arnold Lunn (1889-1974), alpinista e esquiador pioneiro, considerado o pai das corridas de ski apino
Realiza-se anualmente com uma participação limitada a 1800 concorrentes (não federados na FIS) e um percurso de 15,8 km, que parte do topo do Schilthorn (2.970m), conhecido por aí se ter desenrolado uma cena do filme de ‘James Bond’, para chegar à vila de Lauterbrunnen. Na primeira edição da ‘Inferno’ (29.01.28), todos os esquiadores partiram ao mesmo tempo, sendo que quem dava a partida era um deles. Aqueles que não se atreviam a descer a primeira secção (hoje uma pista negra), juntavam-se mais abaixo depois dos primeiros passarem. O vencedor foi Harold Mitchell, que percorreu os 12 km em 1h12’ (apenas uma mulher se juntou aos pioneiros – Doreen Elliott, que terminou em 4º lugar). Na linha de chegada encontrava-se um homem, magoado num tornozelo e que por isso não podia correr, registando os tempos e comparando-os com a hora de partida (informada por Sir Arnold, o 6º a chegar), para fazer as contas e definir a classificação. Em 1929 e 30 os ingleses dominaram e após 5 anos de interregno o Club de Ski de Mürren tomou conta da organização (interrompida durante a II Grande Guerra), passando a partida a fazer-se de um-em-um. Em 1967, com a conclusão do teleférico que chega ao topo (na altura o mais longo e moderno do mundo), a prova ganhou novo impulso.
A 24 de Janeiro de 2009, a 66ª edição, os concorrentes partiram em intervalos de 15 segundos (sendo que cerca de 2.000 pretendentes ficaram de fora da corrida por exceder o limite) e o percurso foi reduzido a 9,7 km, devido a condições atmosféricas adversas no cume. Os tempos variaram entre os mais de 10 e os 45 minutos.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Contradições Suiças !?! - Crónica 7




No fim de semana de 17-18 de Janeiro 09, tive oportunidade de assistir ao vivo à famosa corrida de ski em Wengen (região de Interlaken, no centro da Suiça) – a Lauberhornrennen – a contar para o Campeonato do Mundo de Ski. Os grandes do ski mundial desfilaram a sua técnica e velocidade: Bode Miller (EUA), Benjamin Raich (AUS), Herman Mayer (AUS), Jean Baptiste Grange (FRA), Ivica Kostelic (CRO, na segunda foto), … Pude captar alguns deles em fotografia, numa corrida considerada das mais dificeis. Na vertente Combinação (Descida + Slalom) do dia 16, venceu o suiço Carlo Janka. Na Descida de dia 17, venceu o suiço Didier Defago com 2’32’’ (seguido do americano Bode Miller e do austriaco Marco Sullivan). Na vertente Slalom os austriacos dominaram, arrecadando os 3 primeiros lugares: Manfred Pranger, Herbst e Benjamin Raich.
No próximo fim de semana tem lugar em Mürren (do outro lado do vale em relação a Wengen) a famosa corrida popular de ski – a ‘Inferno’ – 15 km non stop (os melhores tempos são de 7 a 10 minutos, o suficiente para deixar as pernas como gelatina). As inscrições estão encerradas desde o verão passado. São 1800 concorrentes amadores (quase 2.000 pretendentes ficaram de fora).
Nas pistas de ski e montanhas do sistema Jungfrau, vivem-se momentos inesqueciveis: dos esquiadores que disfrutam de uma paisagem extraordinária frente aos glaciares património da UNESCO, aos turistas asiáticos (sobretudo do Japão, Corea e Singapura) que, em grandes grupos enchem os pequenos comboios que os elevam ao Jungfraujoch – Top of Europe (a estação mais alta da Europa, a 3.454m), aos menos desportistas que passeiam pelas ruas livres de automóveis de Wengen e Mürren, aos que escolhem o trenó, um desporto nacional para todas as idades (meio desconhecido entre nós), para descer a boa velocidade, de dia ou de noite, os trilhos que circundam a popular vila de Grindelwald.
Tudo isso num mundo de ‘postal’ ou, como alguém disse: “demasiado perfeito para ser verdadeiro”. Sim, é verdadeiro! Mas não é tão perfeito como parece. É verdade que os suiços ‘dominam’ os vales e as montanhas. Que são fervorosos adeptos da ‘segurança’. Mas após algumas semanas por estas paragens saltam à vista as imperfeições e contradições de um sistema tão organizado. Refiro-me, por exemplo, ao caos que por vezes se vive nalgumas estações de comboios (especialmente num dia de competição desportiva, com nenhum horário cumprido) !?! Mal minimizado, verdade seja dita, pela presença de um ‘batalhão’ de assistentes. A falta de pistas de ski de côr verde (as mais fáceis) para o esquiador principiante – esta situação é realmente irónica pois, se por um lado vemos uns 80% de esquiadores a usar capacete, por outro lado vemos que, após aprender os primeiros movimentos, o esquiador principiante tem que ‘saltar’ para uma pista ‘azul’, bastante mais exigente do que uma ‘verde’. Pior ainda, há pistas azuis que terminam em pistas ‘vermelhas’ (pistas para esquiadores avançados). Para quem se orgulha do seu nivel de planeamento e segurança, é também estranho verificar o traçado de algumas pistas, com troços verdadeiramente cegos e mal sinalizados, escondidos por lombas e curvas. Três vezes dei por mim fora de pista sem me ter apercebido. Uma vez voei descontrolado sobre uma cova escondida por uma lomba, ao descer uma pista azul, em velocidade moderada. ‘Não há bela sem senão’ !!!
foto1: pista de ski entrando em Wengen
foto3: salto incrivel na 'Descida' da Lauberhornrennen '09