A água, “é um bem magnífico, aparentemente à disposição de todos, mas na realidade é algo de que alguns abusam e de que outros carecem. As Nações Unidas apresentaram um relatório segundo o qual «os norte-americanos consomem 550 litros de água por pessoa e dia; os europeus, uma média de 350, e os africanos da África negra, entre 8 e 10 litros de água por pessoa e dia», o que demonstra as enormes diferenças do planeta” (Eduardo Punset, ‘Porque somos como somos’).
Simultaneamente, segundo dados da OMM (Organização Mundial de Meteorologia), 17 países registaram recordes de temperaturas máximas (Ago.10). No verão passado, na Catalunha, devido à seca as autoridades proibiram o enchimento de piscinas e outros consumos não essenciais. No entanto, existem novos projectos para a instalação de campos de golf, e os que estão em construção continuavam a consumir as quantidades de água que se imagina. A guia de um autocarro turístico vindo da Galiza, ao passar por um daqueles campos, mostrava a beleza do verde, escamoteando o problema da falta de água para o qual os galegos estavam perfeitamente conscientes.
40% da comida que consumimos tem origem em plantações de regadio e esta consome 70% da água que gastamos. 20% da água doce do planeta corre na floresta amazónica (‘Planeta Terra’ de 21Jun.10 em ‘La 2’), mas também esta se vê acossada pelos incêndios e pela seca: este ano observámos como pequenos barcos ficaram encalhados na areia do leito seco do rio Negro.
Desde 1850 a temperatura média no mundo aumentou 1º (em 2100 poderá ter subido de 2 a 6,4º) devido, em parte, à crescente acumulação de CO2 (sobretudo a partir dos anos 80). Com isso os glaciares reduziram-se 10%, o nível do mar subiu e a água doce escasseia… Mário Molina, Prémio Nobel da Química em 1995, disse: “Ficaremos sem atmosfera antes de ficarmos sem petróleo”.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
sábado, 27 de novembro de 2010
Nova recessão ao virar da esquina… - Crónica 39
Os Estados Unidos da América são o país com o maior número de reclusos: têm 2 milhões de presidiários, e muitos (7 em cada 10, no caso da Califórnia) são designados de “passageiros frequentes” porque reincidem. Um membro de um gang, tatuado, esteve preso 96 vezes. Muitos não têm nada lá fora e, ao sair, recebem 180USD para refazer a vida ou, como bilhete de volta!!!
A China, há 50 anos era um país pobre; há 15 anos era ‘emergente’; no ano passado passou a ser a 2ª economia do mundo; agora, a crise internacional e consequente redução de encomendas obrigou ao encerramento de fábricas. Só no delta do rio da Pérolas existem 35 milhões de desempregados… (Histórias do Mundo, SIC, 26.11.10). Em Portugal, a Caritas aumentou o número de pessoas a quem presta apoio de 5.000 para 62 mil (dia 15 Nov.) e considerou que os casos de pobreza aumentaram 30% este ano.
Enquanto o economista George Soros anunciava (em Junho) que a China iria “liderar a recuperação económica …”, e o mundo esboçava um sorriso por os americanos começarem a provar o amargo do seu próprio remédio (ao ver emergir uma economia que pode superar a deles), eu acrescentei numa crónica deste blog, em Julho, que provavelmente a China iria liderar também o próximo crash…: “O crescimento anual de dois dígitos da China pode bem vir a provocar o próximo ‘crash’ global pois não é possível sustentá-lo indefinidamente. A China corre o risco de se tornar na vítima do seu próprio crescimento descontrolado, e com ela arrastar toda a economia mundial! O mundo está repleto de exemplos de coisas que ultrapassam as nossas medidas e capacidade de domínio. A ambição desmesurada do Homem é, frequentemente, a causa da sua própria ruína”.
Se alguém do governo PS ou algum apologista do neo-liberalismo lê-se este texto, sem dúvida falaria de discurso alarmista e de fatalismo e que o que é necessário é ‘dar confiança aos portugueses’… mas isso são as sopinhas mornas a que estes ‘dirigentes da nação’ e amigos da ‘privatização dos lucros e socialização dos prejuízos’ nos querem habituar para continuar a viver no irrealismo do seu alto pedestal! “Esta gente está protegida e não faz esforço nenhum”, disse Macário Correia (RTP, 27.11.10), referindo-se aos defensores do regime de excepção para altos quadros de empresas públicas, no que concerne à aplicação de reduções salariais de 5%! “Sobram exemplos de até que ponto os dirigentes políticos e os líderes sociais se limitam a gerir a ignorância dos outros”, escreveu Eduardo Punset.
A China, há 50 anos era um país pobre; há 15 anos era ‘emergente’; no ano passado passou a ser a 2ª economia do mundo; agora, a crise internacional e consequente redução de encomendas obrigou ao encerramento de fábricas. Só no delta do rio da Pérolas existem 35 milhões de desempregados… (Histórias do Mundo, SIC, 26.11.10). Em Portugal, a Caritas aumentou o número de pessoas a quem presta apoio de 5.000 para 62 mil (dia 15 Nov.) e considerou que os casos de pobreza aumentaram 30% este ano.
Enquanto o economista George Soros anunciava (em Junho) que a China iria “liderar a recuperação económica …”, e o mundo esboçava um sorriso por os americanos começarem a provar o amargo do seu próprio remédio (ao ver emergir uma economia que pode superar a deles), eu acrescentei numa crónica deste blog, em Julho, que provavelmente a China iria liderar também o próximo crash…: “O crescimento anual de dois dígitos da China pode bem vir a provocar o próximo ‘crash’ global pois não é possível sustentá-lo indefinidamente. A China corre o risco de se tornar na vítima do seu próprio crescimento descontrolado, e com ela arrastar toda a economia mundial! O mundo está repleto de exemplos de coisas que ultrapassam as nossas medidas e capacidade de domínio. A ambição desmesurada do Homem é, frequentemente, a causa da sua própria ruína”.
Se alguém do governo PS ou algum apologista do neo-liberalismo lê-se este texto, sem dúvida falaria de discurso alarmista e de fatalismo e que o que é necessário é ‘dar confiança aos portugueses’… mas isso são as sopinhas mornas a que estes ‘dirigentes da nação’ e amigos da ‘privatização dos lucros e socialização dos prejuízos’ nos querem habituar para continuar a viver no irrealismo do seu alto pedestal! “Esta gente está protegida e não faz esforço nenhum”, disse Macário Correia (RTP, 27.11.10), referindo-se aos defensores do regime de excepção para altos quadros de empresas públicas, no que concerne à aplicação de reduções salariais de 5%! “Sobram exemplos de até que ponto os dirigentes políticos e os líderes sociais se limitam a gerir a ignorância dos outros”, escreveu Eduardo Punset.
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quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Fantasia e justiça social! - Crónica 38
Nem de propósito! Depois de em Wall Street se ter levantado, de novo, o fantasma dos prémios dos executivos de grandes empresas financeiras americanas intervencionados com dinheiros públicos no inicio da actual crise internacional – foi estimado em 104 mil milhões de Euros o valor dos ganhos em prémios pelos executivos das empresas da maior praça bolsista do mundo, o que representa 4% mais dos que no ano de 2009 que já tinha sido um recorde (TVE1, 13.10.10); e depois daquele e-mail que circulou por aí mostrando como 20 administradores de empresas públicas portuguesas (vinte, enfatizo) recebem 52,8 milhões de euros por ano (desde os 58,8 mil euros/mês do administrador da Carris aos 371 mil/mês do administrador da CGD e aos 420 mil do da TAP, mais prémios, 13º mês e subsídios), o suficiente para dar emprego a 4.190 funcionários públicos (a 900 euros/mês, ou a 6.285 pessoas se recebessem 600€/mês, que é mais que o salário mínimo)! Quem fez circular este e-mail exclamava no final: “E depois ainda querem saber se a malta está disposta a abdicar do subsídio de férias e/ou Natal para ajudar o país…”; e considerava ‘escandalosos’ e ‘ofensivos’ os salários pagos pela RTP aos seus directores e jornalistas, uma empresa financiada com dinheiro dos contribuintes e que dá prejuízo (José Alberto Carvalho, como director de informação, tem um vencimento ilíquido, e sem contar com as ajudas de custos, de 15.999 euros por mês)! A EDP ficava fora desta lista, mas o seu administrador, António Mexia, esteve recentemente na televisão a tentar explicar o inexplicável: a barbaridade que representa o volume recorde dos prémios que recebeu… O governo vem, só agora, proibir a acumulação de vencimentos e pensões na função pública. Como é que isto foi possível até hoje? Se a medida se destinasse a ‘povinho’ provavelmente teria efeitos retroactivos, mas sendo para a classe dirigente…
Depois destes dados, dizia, a RTP1 (em Jornal da Tarde de 10.11.10) entrevistou uma funcionária do sistema fiscal suíço. Vejam só: na Suíça, o máximo que uma pessoa pode receber de reforma são 1.700 euros por mês (considerado o suficiente para uma vida condigna), para além de eventuais benefícios a titulo privados. O Estado garante, desta forma, o essencial aos mais necessitados. Democratizando o sistema sem comprometer o orçamento da segurança social. Afinal aquilo que eu defendia, como se recordarão os que comigo falaram sobre o tema! Por cá, continuamos a viver no ‘País das maravilhas’!!!
Depois destes dados, dizia, a RTP1 (em Jornal da Tarde de 10.11.10) entrevistou uma funcionária do sistema fiscal suíço. Vejam só: na Suíça, o máximo que uma pessoa pode receber de reforma são 1.700 euros por mês (considerado o suficiente para uma vida condigna), para além de eventuais benefícios a titulo privados. O Estado garante, desta forma, o essencial aos mais necessitados. Democratizando o sistema sem comprometer o orçamento da segurança social. Afinal aquilo que eu defendia, como se recordarão os que comigo falaram sobre o tema! Por cá, continuamos a viver no ‘País das maravilhas’!!!
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segunda-feira, 25 de outubro de 2010
A nova pobreza II - Crónica 37
(continuação da anterior)
Se é verdade que existe uma relação tão directa entre riqueza, consumo e poluição (ver crónica 17, de 19.07.09), que domina a sociedade ocidental actual, então, também a cada pessoa devia estar associada uma quota de consumo/poluição (tal como existe a nível de certos países, no caso da poluição, no caso da produção de leite ou cereais, ou no caso das capturas piscícolas), dentro da qual estaria permito ‘respirar’ a qualquer um, independentemente dos seus rendimentos. No caso dos impostos e dos preços dos serviços básicos (água, luz, habitação, etc.) é necessário criar uma ‘bolsa de ar’, um escalão mínimo dentro do qual nenhum cidadão (desempregados, reformados, trabalhadores temporários, os que auferem salários mínimos) tenha que agonizar para se manter à tona de água. Para lá daquela quota, a cobrança de bens e serviços (
sobretudo se resultam poluentes) far-se-ia numa proporcionalidade crescente. Quem mais consome/polui, mais paga! O problema é que isto vai contra toda a lógica capitalista de maximização do consumo: quanto mais consomes mais barato te sai o preço unitário. A própria UE apoiava, através da sua politica agrícola comum, as explorações agrícolas em função da sua produtividade, beneficiando os maiores (porque mais facilmente diluem os custos unitários). Ora, se já são grandes e produtivas para que é que necessitam de apoios?! “… a indústria alimentar à escala global está estruturada para favorecer uma produção muito abundante e a baixo custo, e os fabricantes de alimentos, as empresas de transporte de longa distância, os gigantes do fast food, as empresas publicitárias, os supermercados e os produtores industriais (os defensores do status) têm interesse em que as coisas continuem como estão. Na maior parte dos países, os sistemas de subsídios, as regulamentações e as fileiras de abastecimento estão contra o produtor que se rege pelas normas do movimento Slow (…) os métodos agrícolas actuais são claramente insustentáveis. A agricultura industrial destrói o meio ambiente. Hoje, alguns especialistas crêem que a melhor maneira de alimentar o mundo é voltar à agricultura e criação de gado mista de pequena escala, que permite um equilíbrio, respeitoso com o meio ambiente, entre colheitas e gado. Em 2003, a UE por fim acordou reformar a sua politica agrícola comum para recompensar os agricultores mais pela qualidade que pela quantidade da sua produção, assim como pela salvaguarda do meio ambiente” (por Carl Honoré em ‘Elogio de la lentitud’).
A imprensa espanhola surpreendia-se com a alta taxa da população do país, a mais elevada da Europa, que investe na compra de casa própria! Mas o que é que esperavam, quando o valor mensal de um arrendamento é idêntico ao da hipoteca a pagar ao banco?! Facilmente se encontrarão estatísticas que mostram que o peso dos gastos com a habitação no orçamento das famílias, que passou de uns 15% há umas décadas para próximo dos 50% actualmente. As casas modernas têm rendas incomportáveis para a maioria (paralelamente, observo o aumento do número de pessoas que passou a viver em auto-caravanas). A habitação é um bem essencial e, como tal, para que os cada vez mais aflitos possam ter acesso a ela, este sector devia estar sujeito a uma regulação bastante mais estrita.
O consagrado escritor Amin Maalouf disse que a geração jovem de hoje será provavelmente a primeira da história que vai viver em piores condições que a anterior. Agora digam lá, qual é a ‘lógica’ mais lógica?! A máxima capitalista que beneficia poucos e grandes, ou uma lógica mais social e justa que tente não excluir e não deixar ninguém com a corda na garganta!?
Designado por ‘último paraíso terrestre’, o caso do Butão é exemplar: “o governo deste ‘país das plantas medicinais’ desenvolveu e aplicou o conceito inovador de ‘Felicidade Interna Bruta’, por considerar que o bem-estar emocional da população é mais importante do que o desenvolvimento material…”, escrevi na crónica 33 (de 14.09.10). A China, por sua vez, que não tem sido nenhum exemplo, anunciou recentemente que o objectivo das novas políticas do governo para os próximos 5 anos é o de reduzir a diferença entre ricos e pobres. Vamos lá a ver se o grande dragão asiático dá uma lição ao Ocidente.
Se é verdade que existe uma relação tão directa entre riqueza, consumo e poluição (ver crónica 17, de 19.07.09), que domina a sociedade ocidental actual, então, também a cada pessoa devia estar associada uma quota de consumo/poluição (tal como existe a nível de certos países, no caso da poluição, no caso da produção de leite ou cereais, ou no caso das capturas piscícolas), dentro da qual estaria permito ‘respirar’ a qualquer um, independentemente dos seus rendimentos. No caso dos impostos e dos preços dos serviços básicos (água, luz, habitação, etc.) é necessário criar uma ‘bolsa de ar’, um escalão mínimo dentro do qual nenhum cidadão (desempregados, reformados, trabalhadores temporários, os que auferem salários mínimos) tenha que agonizar para se manter à tona de água. Para lá daquela quota, a cobrança de bens e serviços (
sobretudo se resultam poluentes) far-se-ia numa proporcionalidade crescente. Quem mais consome/polui, mais paga! O problema é que isto vai contra toda a lógica capitalista de maximização do consumo: quanto mais consomes mais barato te sai o preço unitário. A própria UE apoiava, através da sua politica agrícola comum, as explorações agrícolas em função da sua produtividade, beneficiando os maiores (porque mais facilmente diluem os custos unitários). Ora, se já são grandes e produtivas para que é que necessitam de apoios?! “… a indústria alimentar à escala global está estruturada para favorecer uma produção muito abundante e a baixo custo, e os fabricantes de alimentos, as empresas de transporte de longa distância, os gigantes do fast food, as empresas publicitárias, os supermercados e os produtores industriais (os defensores do status) têm interesse em que as coisas continuem como estão. Na maior parte dos países, os sistemas de subsídios, as regulamentações e as fileiras de abastecimento estão contra o produtor que se rege pelas normas do movimento Slow (…) os métodos agrícolas actuais são claramente insustentáveis. A agricultura industrial destrói o meio ambiente. Hoje, alguns especialistas crêem que a melhor maneira de alimentar o mundo é voltar à agricultura e criação de gado mista de pequena escala, que permite um equilíbrio, respeitoso com o meio ambiente, entre colheitas e gado. Em 2003, a UE por fim acordou reformar a sua politica agrícola comum para recompensar os agricultores mais pela qualidade que pela quantidade da sua produção, assim como pela salvaguarda do meio ambiente” (por Carl Honoré em ‘Elogio de la lentitud’).A imprensa espanhola surpreendia-se com a alta taxa da população do país, a mais elevada da Europa, que investe na compra de casa própria! Mas o que é que esperavam, quando o valor mensal de um arrendamento é idêntico ao da hipoteca a pagar ao banco?! Facilmente se encontrarão estatísticas que mostram que o peso dos gastos com a habitação no orçamento das famílias, que passou de uns 15% há umas décadas para próximo dos 50% actualmente. As casas modernas têm rendas incomportáveis para a maioria (paralelamente, observo o aumento do número de pessoas que passou a viver em auto-caravanas). A habitação é um bem essencial e, como tal, para que os cada vez mais aflitos possam ter acesso a ela, este sector devia estar sujeito a uma regulação bastante mais estrita.
O consagrado escritor Amin Maalouf disse que a geração jovem de hoje será provavelmente a primeira da história que vai viver em piores condições que a anterior. Agora digam lá, qual é a ‘lógica’ mais lógica?! A máxima capitalista que beneficia poucos e grandes, ou uma lógica mais social e justa que tente não excluir e não deixar ninguém com a corda na garganta!?
Designado por ‘último paraíso terrestre’, o caso do Butão é exemplar: “o governo deste ‘país das plantas medicinais’ desenvolveu e aplicou o conceito inovador de ‘Felicidade Interna Bruta’, por considerar que o bem-estar emocional da população é mais importante do que o desenvolvimento material…”, escrevi na crónica 33 (de 14.09.10). A China, por sua vez, que não tem sido nenhum exemplo, anunciou recentemente que o objectivo das novas políticas do governo para os próximos 5 anos é o de reduzir a diferença entre ricos e pobres. Vamos lá a ver se o grande dragão asiático dá uma lição ao Ocidente.
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quarta-feira, 6 de outubro de 2010
A nova pobreza - Crónica 36
Ser pobre em França pode ser enganador para um português, já que a fasquia está colocada cerca dos 900euros/mês (o salário mínimo), mas não é menos certo que por todo o lado cresce o número de pessoas com ‘a corda na garganta’. Os frios números de Setembro disseram que nos Estados Unidos da América 14% da população (uns 35 milhões de habitantes) está a viver num nível de pobreza (recebe menos de 10.800 USD/ano). Em França, 13% da população (8 milhões) vive no limiar da pobreza. Em Espanha, o desemprego chegou aos 21% (mais de 4,5 milhões de pessoas); ali, fala-se de uma geração perdida, os ‘Ninis’ (não estudam e não trabalham, e um de cada 4 deles nem deseja fazê-lo), que representam 14% da população juvenil (15-24 anos). Roménia e Bulgária são outros dos países europeus onde o desemprego atinge cifras da ordem dos 20%...
Passados tantos séculos, parece que as sociedades modernas continuam a padecer dos males que afectavam a época dos imperadores romanos, do séc. II d.C.: “Parte dos nossos males provém de que há demasiados homens vergonhosamente ricos ou desesperadamente pobres” (Marguerite Yourcenar, em ‘Memórias de Adriano’). E isto é tão básico que me custa compreender que apenas aqueles que têm uma preocupação extrema com a acumulação de dinheiro (e de prestigio petulante), como empresários e políticos, não vêem! Alguém me respondeu que sempre existirão ricos e pobres: de acordo, não contesto, até porque existem pessoas que fazem questão de viver com pouco ou de não trabalhar! A dúvida coloca-se na amplitude de tal diferença, no exagero da diferença prática entre aqueles que vivem ‘demasiadamente bem’ e desperdiçam muito, e os que se ‘matam’ a trabalhar para se manterem apenas no limiar da sobrevivência!
Discordo de filosofias ‘anti-despedimento’ de esquerda (porque nem o Estado nem um empresário com iniciativa têm obrigação de alimentar um empregado que não quer trabalhar ou que o faz mal (e são muitos). Desconfio dos designados ‘direitos adquiridos’ porque isso gera acomodamento (e, em consequência, baixas produtividades e qualidade de serviço inaceitáveis e asfixiantes) e porque necessitamos manter alguma capacidade de adaptação numa sociedade em permanente mudança. Mas também penso que classe politica e sector administrativo do Estado devem ser mais responsabilizados, e remunerados em função de uma produtividade, mais qualitativa que quantitativa, de acordo com uma lógica mista (uma base fixa e uma parte variável em função dos resultados).
Os dirigentes políticos fazem questão de nos fazer crer no seu ‘patriotismo’ (uma palavra com cada vez menos significado), e de pousar a mão no peito quando escutam o hino nacional…. O Presidente Zapatero agradeceu o “esforço dos espanhóis” perante a crise e medidas paliativas do governo que lhes retiram benefícios e lhes agravam a vida. Ele recebe mais de 71.000Euros/ano (não é que seja demasiado, mas nalgumas comunidades, o rico é o que ganha mais de 80.000Euros/ano – será coincidência?!), fora os extras! Perante um país em grave crise, as elevadas percentagens de desemprego, e a quantidade de famílias a lutar pela sobrevivência, não seria elementar que esses mesmos políticos fossem os primeiros a dar o exemplo, pondo em prática o dito patriotismo, decidindo reduzir as suas regalias? Uma questão de princípio! Como se pode aceitar que os dirigentes máximos de um país decidam reduzir os parcos benefícios de alguns (refiro-me ao aumento da idade de reforma, e redução de 5% de alguns salários, no caso espanhol), sem tocar nos seus próprios (a retribuição dos políticos apenas foi ‘congelada’)?
Passados tantos séculos, parece que as sociedades modernas continuam a padecer dos males que afectavam a época dos imperadores romanos, do séc. II d.C.: “Parte dos nossos males provém de que há demasiados homens vergonhosamente ricos ou desesperadamente pobres” (Marguerite Yourcenar, em ‘Memórias de Adriano’). E isto é tão básico que me custa compreender que apenas aqueles que têm uma preocupação extrema com a acumulação de dinheiro (e de prestigio petulante), como empresários e políticos, não vêem! Alguém me respondeu que sempre existirão ricos e pobres: de acordo, não contesto, até porque existem pessoas que fazem questão de viver com pouco ou de não trabalhar! A dúvida coloca-se na amplitude de tal diferença, no exagero da diferença prática entre aqueles que vivem ‘demasiadamente bem’ e desperdiçam muito, e os que se ‘matam’ a trabalhar para se manterem apenas no limiar da sobrevivência!
Discordo de filosofias ‘anti-despedimento’ de esquerda (porque nem o Estado nem um empresário com iniciativa têm obrigação de alimentar um empregado que não quer trabalhar ou que o faz mal (e são muitos). Desconfio dos designados ‘direitos adquiridos’ porque isso gera acomodamento (e, em consequência, baixas produtividades e qualidade de serviço inaceitáveis e asfixiantes) e porque necessitamos manter alguma capacidade de adaptação numa sociedade em permanente mudança. Mas também penso que classe politica e sector administrativo do Estado devem ser mais responsabilizados, e remunerados em função de uma produtividade, mais qualitativa que quantitativa, de acordo com uma lógica mista (uma base fixa e uma parte variável em função dos resultados).
Os dirigentes políticos fazem questão de nos fazer crer no seu ‘patriotismo’ (uma palavra com cada vez menos significado), e de pousar a mão no peito quando escutam o hino nacional…. O Presidente Zapatero agradeceu o “esforço dos espanhóis” perante a crise e medidas paliativas do governo que lhes retiram benefícios e lhes agravam a vida. Ele recebe mais de 71.000Euros/ano (não é que seja demasiado, mas nalgumas comunidades, o rico é o que ganha mais de 80.000Euros/ano – será coincidência?!), fora os extras! Perante um país em grave crise, as elevadas percentagens de desemprego, e a quantidade de famílias a lutar pela sobrevivência, não seria elementar que esses mesmos políticos fossem os primeiros a dar o exemplo, pondo em prática o dito patriotismo, decidindo reduzir as suas regalias? Uma questão de princípio! Como se pode aceitar que os dirigentes máximos de um país decidam reduzir os parcos benefícios de alguns (refiro-me ao aumento da idade de reforma, e redução de 5% de alguns salários, no caso espanhol), sem tocar nos seus próprios (a retribuição dos políticos apenas foi ‘congelada’)?
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
O valor da paciência - Crónica 35
Alex, referindo-se ao ‘valor da paciência’ (programa ‘tarde em directo’, CNN+, 06.07.10), recordou um estudo de Goleman no qual várias crianças eram ‘obrigadas’ a esperar, para obter um caramelo; algumas não tinham paciência suficiente para esperar; as que o fizeram obtiveram a recompensa mais tarde; deste modo revelaram-se mais ‘maduras’, mais tolerantes e sociáveis, e como tal, possuidoras de um coeficiente emocional mais elevado. Com isto pretendia-se demonstrar que para obter certas coisas, há que merecê-las, e também justificar a imaturidade da moderna sociedade de consumo, como causa da actual crise financeira internacional: “… utilizaram dinheiro que não tinham para comprar coisas que não necessitavam e que não valiam o preço que pediam por elas…”.
Mark Twain tinha uma excelente anedota que resumia os anos da sua ‘maturação’: «Que ignorante era o meu pai quando eu tinha 14 anos. Mal podia suportá-lo. Mas quando cumpri os 21, fiquei assombrado ao descobrir o muito que ele tinha aprendido nesses sete anos».
Nos últimos anos assistimos a crianças de 5 a 11 anos de idade a baterem recordes de precocidade em provas de maratona. Em 2007, Zhang Muyuan, um menino chinês de 9 anos, tornou-se no montanhista mais jovem a coroar o cume do Kilimanjaro (5.896m. de altitude), na Tanzânia, se bem que para entrar no parque nacional os pais tiveram que mentir sobre a sua idade… O britânico Michael Perham (14 anos), bateu o recorde de precocidade de cruzar o oceano Atlântico navegando em solitário (necessitou de 46 dias para ir de Gibraltar à ilha de Antigua, nas Caraíbas). Com 13 anos, Jordan Romero, dos EUA, converteu-se no mais jovem escalador do Everest – a sua ambição nasceu aos 9 anos; com 10, subiu o Kilimanjaro, e com 11 o McKinley no Alasca (6.194 m) e o Aconcágua nos Andes (6.969 m); nascido em 1996, Jordan mantêm o plano de coroar os chamados ‘sete cumes’ dos sete continentes. Na equipa que o acompanhou estavam o seu pai, especialista em medicina e fisiologia, a sua madrasta e treinadora, e três sherpas. O adolescente explicou: “faço isto um pouco por mim, para fazer alguma coisa grande” (in www.marca.com/mas_deportes/otros_deportes.html). Este verão, em busca de um novo recorde, uma adolescente holandesa de 14 anos, partia num veleiro para uma volta ao mundo em solitário, com a autorização dos pais e o deferimento dos tribunais!!! Esperemos que não lhe suceda nada de mau…
Estas actividades, aparentemente saudáveis, são, do ponto de vista da ética dos pais das crianças, no mínimo questionáveis. É que, no afã da recompensa imediata, as pessoas esquecem-se que a maturidade se pode aproximar mais dos estados de felicidade.
Como escreveu o montanhista francês Lionel Terray, “Apenas uma longa experiência, muita observação, registada não apenas na memória, mas também no subconsciente, permite que alguns montanhistas adquiram uma espécie de instinto”. Aqui, o instinto significa também ‘maturidade’… A ciência confirma: Eduardo Punset citou o neurólogo mexicano Ranulfo Romo - «A mim, francamente, o que mais gosto não é falar perante um auditório nem tão pouco escrever os meus artigos. Gosto quando posso deter-me um instante e viver no interior do meu cérebro: é como um passeio no qual posso visitar os amigos (…) detectar detalhes (…) ver-me a mim mesmo, recuperar a vida, recreá-la…» -, para explicar que “Estas expectativas, do ponto de vista neurofisiológico, só pode cumpri-las um cérebro maduro. De aí a demonstrar – como fizeram distinguidos psiquiatras – que a maturidade é compatível com níveis de felicidade mais elevados que na juventude, não há mais que um passo que a ciência está a ponto de dar”.
Mark Twain tinha uma excelente anedota que resumia os anos da sua ‘maturação’: «Que ignorante era o meu pai quando eu tinha 14 anos. Mal podia suportá-lo. Mas quando cumpri os 21, fiquei assombrado ao descobrir o muito que ele tinha aprendido nesses sete anos».
Nos últimos anos assistimos a crianças de 5 a 11 anos de idade a baterem recordes de precocidade em provas de maratona. Em 2007, Zhang Muyuan, um menino chinês de 9 anos, tornou-se no montanhista mais jovem a coroar o cume do Kilimanjaro (5.896m. de altitude), na Tanzânia, se bem que para entrar no parque nacional os pais tiveram que mentir sobre a sua idade… O britânico Michael Perham (14 anos), bateu o recorde de precocidade de cruzar o oceano Atlântico navegando em solitário (necessitou de 46 dias para ir de Gibraltar à ilha de Antigua, nas Caraíbas). Com 13 anos, Jordan Romero, dos EUA, converteu-se no mais jovem escalador do Everest – a sua ambição nasceu aos 9 anos; com 10, subiu o Kilimanjaro, e com 11 o McKinley no Alasca (6.194 m) e o Aconcágua nos Andes (6.969 m); nascido em 1996, Jordan mantêm o plano de coroar os chamados ‘sete cumes’ dos sete continentes. Na equipa que o acompanhou estavam o seu pai, especialista em medicina e fisiologia, a sua madrasta e treinadora, e três sherpas. O adolescente explicou: “faço isto um pouco por mim, para fazer alguma coisa grande” (in www.marca.com/mas_deportes/otros_deportes.html). Este verão, em busca de um novo recorde, uma adolescente holandesa de 14 anos, partia num veleiro para uma volta ao mundo em solitário, com a autorização dos pais e o deferimento dos tribunais!!! Esperemos que não lhe suceda nada de mau…
Estas actividades, aparentemente saudáveis, são, do ponto de vista da ética dos pais das crianças, no mínimo questionáveis. É que, no afã da recompensa imediata, as pessoas esquecem-se que a maturidade se pode aproximar mais dos estados de felicidade.
Como escreveu o montanhista francês Lionel Terray, “Apenas uma longa experiência, muita observação, registada não apenas na memória, mas também no subconsciente, permite que alguns montanhistas adquiram uma espécie de instinto”. Aqui, o instinto significa também ‘maturidade’… A ciência confirma: Eduardo Punset citou o neurólogo mexicano Ranulfo Romo - «A mim, francamente, o que mais gosto não é falar perante um auditório nem tão pouco escrever os meus artigos. Gosto quando posso deter-me um instante e viver no interior do meu cérebro: é como um passeio no qual posso visitar os amigos (…) detectar detalhes (…) ver-me a mim mesmo, recuperar a vida, recreá-la…» -, para explicar que “Estas expectativas, do ponto de vista neurofisiológico, só pode cumpri-las um cérebro maduro. De aí a demonstrar – como fizeram distinguidos psiquiatras – que a maturidade é compatível com níveis de felicidade mais elevados que na juventude, não há mais que um passo que a ciência está a ponto de dar”.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
As maiores tolices do mundo - Crónica 34
O mundo está cheio de ‘tolices’! Sempre há alguma coisa que parece tola aos olhos de alguém. O problema de definir o que é uma ‘tolice’, é que não há uma medida exacta para o senso comum. Por vezes trata-se quase de uma questão de gostos, ou seja, reduz-se a avaliações pessoais. E para os gostos estão as cores! No entanto, há atitudes e comportamentos que são alvo de comentários classificativos de muitas pessoas, oriundas de vários sectores da sociedade. Como tal, aspiram a alcançar o estatuto de ‘grande tolice’. Umas são engraçadas e ‘saudáveis’, outras dão ‘pena’ ou produzem a ‘vergonha alheia’. Há as simplesmente ‘inócuas’, e as perfeitamente ‘injustificáveis’. As piores, são as tolices ‘condenáveis’, porque prejudicam moral ou materialmente a terceiros.
Desde as
macacadas do público frente às câmaras, no Tour de France ou na Vuelta (o homem-diabo e aqueles que correm ao lado dos ciclistas, gritando-lhes aos ouvidos); ao wrestling. De qualquer intervenção da Paris Hilton, ao charuto do Isaltino de Morais (o exemplo clássico da pessoa que crê ter alcançado um ‘status’ do qual certos adereços fazem obrigatoriamente parte como símbolo); do mau gosto artístico da Lady Gagá, com ou sem 8 galardões MTV (quando se promoveu em Portugal seguramente desconhecia o significado de ‘estar gagá’!), à desculpa da ‘tradição’ para manter a ‘posse de armas’, nos EUA, ou para dar continuidade a espectáculos como os ‘touros de morte’, em Espanha e Portugal (se as tradições se tornam imorais, fora de moda, ou injustificadas, mudam-se!); e aos jogos de computador das novas consolas, tipo Wii, que não são totalmente inofensivos porque podem moldar a atitude de toda uma geração de jovens; …
Outras tolices, surgem sob a forma de perguntas: porque é que as apresentadoras de TV se sentam com mini-sáia frente à câmara, obrigando-se a cruzar as pernas de forma tão desconfortável?; ou ‘porque é que os pés dos pinguins não congelam?’ (esta deu mesmo origem a um livro).
Os exemplos são tantos e tão ricos que resolvi fazer do tema a base da minha actual tentativa de completar um livro. Nele, falo de alguns recordes de precocidade batidos por crianças de 5 a 11 anos de idade, em provas de maratona, dos excêntricos recordes do Guiness, e de concursos populares como o ‘lançamento da bota’, o ‘lançamento de legumes com zarabatana’, o campeonato de ‘comedores de urtigas’, a ‘reverse running’ (corrida para trás), o do ‘homem pássaro’ ou o famoso ‘cheese rolling’…. Analiso o fenómeno do ‘balconing’ e outras histórias de azar. Os caprichos mais vergonhosos, e os escandalosos abusos de autarcas e políticos, que normalmente deixamos cair no esquecimento… Tudo coisas tolas!
Já agora, desafio-vos a que me enviem a história daquela que, na vossa opinião, consideram a ‘Maior tolice do Mundo’ (se possível com referência a data e local do acontecimento, ou meio de comunicação onde foi divulgado), para zgiraldes@hotmail.com.
Desde as
macacadas do público frente às câmaras, no Tour de France ou na Vuelta (o homem-diabo e aqueles que correm ao lado dos ciclistas, gritando-lhes aos ouvidos); ao wrestling. De qualquer intervenção da Paris Hilton, ao charuto do Isaltino de Morais (o exemplo clássico da pessoa que crê ter alcançado um ‘status’ do qual certos adereços fazem obrigatoriamente parte como símbolo); do mau gosto artístico da Lady Gagá, com ou sem 8 galardões MTV (quando se promoveu em Portugal seguramente desconhecia o significado de ‘estar gagá’!), à desculpa da ‘tradição’ para manter a ‘posse de armas’, nos EUA, ou para dar continuidade a espectáculos como os ‘touros de morte’, em Espanha e Portugal (se as tradições se tornam imorais, fora de moda, ou injustificadas, mudam-se!); e aos jogos de computador das novas consolas, tipo Wii, que não são totalmente inofensivos porque podem moldar a atitude de toda uma geração de jovens; …Outras tolices, surgem sob a forma de perguntas: porque é que as apresentadoras de TV se sentam com mini-sáia frente à câmara, obrigando-se a cruzar as pernas de forma tão desconfortável?; ou ‘porque é que os pés dos pinguins não congelam?’ (esta deu mesmo origem a um livro).
Os exemplos são tantos e tão ricos que resolvi fazer do tema a base da minha actual tentativa de completar um livro. Nele, falo de alguns recordes de precocidade batidos por crianças de 5 a 11 anos de idade, em provas de maratona, dos excêntricos recordes do Guiness, e de concursos populares como o ‘lançamento da bota’, o ‘lançamento de legumes com zarabatana’, o campeonato de ‘comedores de urtigas’, a ‘reverse running’ (corrida para trás), o do ‘homem pássaro’ ou o famoso ‘cheese rolling’…. Analiso o fenómeno do ‘balconing’ e outras histórias de azar. Os caprichos mais vergonhosos, e os escandalosos abusos de autarcas e políticos, que normalmente deixamos cair no esquecimento… Tudo coisas tolas!Já agora, desafio-vos a que me enviem a história daquela que, na vossa opinião, consideram a ‘Maior tolice do Mundo’ (se possível com referência a data e local do acontecimento, ou meio de comunicação onde foi divulgado), para zgiraldes@hotmail.com.
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