terça-feira, 21 de agosto de 2018

Riqueza não dá exemplo - Crónica 66

Humor mordaz, ou talvez não! 

Foi-se outro dos 'grandes' empresários (o 7º mais rico ?) de Portugal. Nos últimos anos foram-se os alguma vez primeiro e segundo da lista... Quanto terão levado com eles para a cova? Terão pedido um caixão dourado?! Terão deixado para trás empregados felizes?! Terão sido justos com eles?! Terão contribuído para um desenvolvimento equitativo da sociedade?! Desaprovo a riqueza em excesso, no entanto, era bom que esta permitisse considerar e actuar sobre estas questões ainda em vida, senão, tanta riqueza material não serve para nada!


Entretanto, surgem bons exemplos do estrangeiro, difíceis de seguir em Portugal! Jamais expectáveis da parte de um CEO da EDP ou de um qualquer empresário da lista dos mais ricos do país... Basta ver: https://www.facebook.com/IdeiasParaAVida/videos/706078546263574/UzpfSTYxMzY4NDc3NzoxMDE1Nzc4MjkyOTU2OTc3OA/


terça-feira, 17 de maio de 2016

Moralidade capitalista e analfabetismo político - Crónica 65

          “O analfabeto político é tão burro que se orgulha e enche o peito ao dizer que odeia a política. Não sabe que da sua ignorância nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político corrupto, lacaio das grandes empresas e multinacionais” (Bertolt Brecht).

A jornalista Naomi Klein (Canadá) desmascara (em ‘A doutrina do choque’) as diabólicas políticas económicas republicanas (baseadas nas limitadas teorias de Milton Friedman), levadas a cabo nos Estados Unidos (e por arrasto noutros países), com a conivência de instituições de âmbito internacional como o Banco Mundial e o FMI.

O sociólogo e politólogo Juan Carlos Monedero, por seu lado, alerta para a indecência dessas mesmas políticas (em ‘Curso urgente de política para gente decente’) ao pretenderem fazer-nos crer que um “anti-sistema não é quem tira o emprego a 6 milhões de pessoas, recebe rendimentos extra provenientes de dinheiro negro ou financia ilegalmente o seu partido, mas sim aquele que luta contra essa fraude exercendo a desobediência civil”. É que, escreve ainda, “Um chimpanzé sacrifica o seu bem-estar para não prejudicar um congénere (facto verificado em experiências). O capitalismo condena a dois terços da humanidade à marginalidade e violência. O capitalismo, pois, está moralmente por debaixo dos chimpanzés. Por isso (com essa visão de lucro de curto prazo) ameaça a vida humana no planeta”.

Conhecer os meandros das miseráveis atuações beligerantes (ou de tentativas de conversões económicas impositivas sob a capa de ‘resgate’) dos EUA (com apoio do Banco Mundial e FMI) sobre países terceiros (Chile, Bolívia, Argentina, África do Sul, Líbano, Polónia, Rússia, Iraque…), permitem entender a 'desagradável' expressão ‘Império do mal’. 'A doutrina do choque' (Naomi Klein), um livro fundamental para perceber o fundo maldosamente manipulador e elitista das políticas republicanas e de direita (video em https://www.youtube.com/watch?v=Y4p6MvwpUeo).

        Leiam por favor!

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Anti-orgasmo e agências de viagens… - Crónica 64

Recente troca de correios eletrónicos:

“No dia 14 de Outubro de 2014 às 15:16, Travelgenio <paymentsrt@corp.travelgenio.com> escreveu:

Passageiros estimado A reserva é confirmada, mas nenhum pagamento. Le orgasmos fazer o pagamento no link que lhe foi enviado casal para prosseguir. Desculpe pela inconveniência. cumprimentos
Alfredo
Customer Service Representative
Travelgenio.com
Travel2be.com

15:22 (há 18 horas)
para paymentsrt

Sr. Alfredo, esa traducción está fatal. Entiendo que no habéis recibido mi pago aún que en mi banco indica que si. No he recibido ningún link. Por favor enviarme ese LINK de nuevo.
Saludo
Jose Giraldes

Observações:
Menos mal que o Alfredo era ‘só’ o Representante de Serviço ao Cliente!!
Era caso para responder: “Lhe orgasmo que me envie o link de novo”. Não é por isto, evidentemente, que a agência não me tem como cliente (apesar de se ter dirigido a mim, noutro mail, como “Sr. Cliente”) mas sim pela assistência deficiente.
‘Orgasmos’ foi a tradução que o Google inventou para rogamos (isto é tão divertido que não resisto a reproduzir uma crónica de 2012, em baixo). Assim, o único ponto em comum entre um orgasmo e uma agência de viagens parece ser (anedota) … o ‘tradutor do Google’! Por outro lado, a ilação óbvia a retirar é que, afinal não são só os espanhóis que falam pessimamente outra lingua…
 

Montanhas e atividades ‘ilícitas’… 06.10.12
Estes tradutores automáticos disponíveis no Office (e na net) são bizarros mas mesmo assim há quem se fie neles, na esperança de que o resultado seja inteligível!
No meu livro ‘Horizonte Branco’ (disponivel em http://www.bubok.pt/livros/5833/Horizonte-Branco--reflexoes-da-montanha) falo de vários locais por esse mundo fora. Para Charrapunji, o lugar mais húmido do mundo, na Índia, a sugestão de correção foi: ‘farrapinho’!!! Ok, é mesmo parecido!
Já para Snowdonia, o pico mais elevado de Gales, e o segundo do Reino Unido, a sugestão foi um pouco mais comprometedora! Neste caso, muito cuidado, por exemplo, a quem pretenda dar uma classe de geografia para miúdos, utilizando este avançado meio de comunicação. Estive naquele cume montanhoso, mas não tenho nada que ver com a correção proposta que é nada mais que… ‘sodomia’!?!

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Crónicas viageiras nos Balcãs - Crónica 63

Aeroportos:

Certa vez escrevi sobre casas de banho em refúgios de montanha (ver livro ‘Horizonte Branco’ - info em http://ze-tavares.blogspot.com). Agora pretendo fazer uma análise semelhante mas relativa a aeroportos.

Munique: aviões a chegar aos pares (dois aviões lado a lado em pistas paralelas); eleito o melhor da Europa, não sei porquê, mas que tinha cafés, e cacau quente e chá e jornais à borla, tinha!
Já em comparação, os de Lisboa e Salónica (Thessaloniki) são dos poucos que abusam dos ‘caminhos de carneiros’ para conduzir as pessoas (postes ligados com fitas para obrigar a circular em zig-zag e condensar o espaço ocupado), provavelmente achando que é uma solução muito inteligente mas não se apercebendo que as pessoas se sentem como carneiros e, sobretudo as que têm dificuldades de locomoção, acabam por caminhar quilómetros para atingir o que está metros à frente. Por algum motivo os alemães não necessitam usar este sistema. Nem em Munique nem em Frankfurt – talvez o aeroporto mais movimentado da Europa, já que o tráfico de Londres se divide por, pelo menos, três aeroportos. Em Frankfurt vi nove luzes de aviões no ar, em fila, para se fazerem à pista de aterragem. Vi também ratos nas salas de espera… Sendo que os alemães não são nada ingénuos a esse respeito, reparei também que existiam umas caixas metálicas ao nível do solo muito apropriadas para os roedores se esconderem; e, como havia restos de comida pelo chão, calculei que esconderijos e ratos estavam ali de propósito; por outro lado, já as bancas de venda de sandes e comidas deixaram de me inspirar confiança – confiança, aliás, perdida assim que reparei nos preços… 500 paus (2,5eur) por uma bolacha de manteiga, daquelas grandes, com pepitas de chocolate!?! Livra!
 

Quanto à perda de malas e bagagem, Madrid tem a pior das reputações que, não sendo disputada com a de um qualquer aeroporto de Cabo Verde, semi-automatizado, não garante a mesma eficácia destes apesar da super automatização… (na foto: retirada de malas para o tapete ‘não-rolante’ na ilha do Fogo). Quanto ao acesso ao aeroporto da Praia, é fácil: como dizem uns amigos que têm casa a uns metros do mar: “olha, lá vem o avião” – a TAP chega de noite e vê-se a luz do avião a avançar na direção da casa deles – “é hora de irmos embarcar” (o check-in feito antes e com tempo de voltar a casa para jantar).

Agora, os Tugas sim que deixam marcas no melhor aeroporto da Europa (Munique, para quem se esqueceu): não levam as canecas da Oktoberfest mas…
 

Incrível Macedónia:

A 2 minutos da partida para Skopje o motorista levanta-se, encara os 10 passageiros do autocarro de 39 lugares, adquire um ar grave, franzindo as sobrancelhas – pensamos que se vai apresentar e explicar o trajeto – e remata ameaçador: “Don’t eat in my bus…”. Ok, estamos prontos para partir!
Em Escópia (Skopje) não há uma única loja de qualquer cadeia internacional. O mesmo é dizer que estas não existem em todo o país. É difícil encontrar certos artigos (gás de camping) mas afinal a solução é fácil: eles vendem o conjunto completo, queimador e botija de gás, bastante barato e ‘made in Macedónia’. Apenas encontrei referências à Europcar e à Coca-cola…
A estrada principal que chega à capital da Macedónia vinda da Grécia está em muito mau estado e em obras. É comum os camiões e autocarros conduzirem no meio das duas faixas ou nas bermas para evitar os buracos e para deixar passar outros veículos. No interior encontrei vários ‘perigos ao volante’ e… muito lixo – estes tipos são uns porcos, ao nível de pescadores e ciganos (e peço desculpa pela generalização, mas quando a maioria marca uma classe a classe fica definida por essa maioria).
O próprio centro da capital parece quase um estaleiro de obras, sobretudo em edifícios públicos… Quem estará a financiar tantas obras num país praticamente sem indústria exportadora (as exportações limitar-se-ão a produtos agrícolas)!? O turismo é incipiente. Dizem que a ex-Jugoslávia está a ajudar… nota-se a presença alemã (telecomunicações) … E quem mais?

Três cumes na última semana. Aliás, em 3 dias! Dois deles às ‘escuras’.
Não levava mais que um mapa de estradas; acordei uma noite (dentro do carro) a tiritar quando a temperatura se precipitou para os 5 graus; levei tareia de granizo e vento no cimo do segundo pico mais alto da Macedónia; vi-me acossado por cães-pastor em matilha; julguei-me desorientado nas entranhas das montanhas Rudoka; por fim, às apalpadelas, encontrei-me no cume mais alto do Kosovo, na fronteira – controlada por militares - com a Macedónia.
mais em http://aventuraaomaximo.blogspot.com

Num espaço de 40 quilómetros encontrei três aldeias com o nome Novo Selo! Considerei a população ‘muito mal informada’: não sabiam dos nomes e dos acessos às montanhas vizinhas; nem de postos de turismo (aliás, inexistentes)! Cabe dizer que, no vale de Vardar (o nome do rio que chega a Escópia), a população é maioritariamente de origem albanesa, muito a contragosto dos macedónios. Surpreendi-me por ter chegado, à primeira tentativa, a cada lugar pretendido apesar da falta de informação e das dificuldades de comunicação (encontrei vários adultos que falavam alemão ou italiano; apenas alguns jovens falam o inglês) …

Os Gregos, em Salónica: são vivos, animados, falam alto… Não se pode dizer que sejam demasiado acolhedores ou afetuosos com o estrangeiro/turista. Em Salónica comer é barato (pizza e pita). Dominam os folhados de queijo e espinafres como ninguém. Os gregos não sabem fazer uma fila; e ainda aplaudem quando o avião aterra, ou melhor, quando as rodas tocam no solo, ainda sem saber se a aterragem termina com sucesso!

Selmo: de Madrid ao Nepal, por um meio de transporte mais ecológico – a bicicleta. O Selmo leva um mês na estrada, faltam-lhe outros 10 meses. Encantado com a Croácia e Montenegro. www.selaventura.com
 

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Scary movie - Crónica 62

'Scary movie' ou 'factos atuais profundamente preocupantes, e mesmo assustadores...'

Factos preocupantes que são mais que meras coincidências. Ora reparem:

- Os noticiários dos 3 canais nacionais da televisão portuguesa apresentam as mesmas notícias, fazem intervalos à mesma hora e, durante os mesmos, apresentam os mesmos anúncios!!!! Pura coincidência?! Scaryyyyy!

- Os estádios de futebol do Brasil e a Piscina Municipal de Lagos. Afinal a Piscina Municipal de Lagos não é municipal. O edifício (leia-se o elevado investimento em toda a infra-estrutura) é da Câmara mas a exploração é de uma empresa privada. Ou seja, os preços praticados para os utilizadores da piscína de 25 metros são mais elevados (o dobro) do que os praticados para utilizadores da piscína olimpica do Jamor e para utilizadores da média das piscínas municipais em Espanha. Ou seja, a infra-estrutura de Lagos, tal como os estádios do Brasil, foi paga pelo dinheiro de todos os contribuintes (incluindo a classe média-baixa hoje em sérias dificuldades), para benefício de apenas alguns! Revolta-me que os impostos da classe média-baixa sejam utilizados para benefício exclusivo de uma outra classe com maior poder aquisitivo!! Coincidência?! Scaryyyyy!


 - Homenagens do 10 de Junho. Votaria para que nesta data e nesta conjuntura não se homenageasse a maioria dos homenageados mas sim as donas 'Lucrécia' que sobrevivem com uma pensão de 250Euros/mês; os Srs. Silva que com uma reforma inferior a 1.000Euros sustentam filhos e netos; os Maneis que imigraram para Angola, Cabo Verde ou Brasil à procura de trabalho; e alguns daqueles que atirados para o desemprego e sem apoios se viram obrigados a viver em viaturas ou debaixo de pontes. Os verdadeiros exemplos de luta deveriam vir destes sobreviventes e não daqueles cujo sucesso se mede em cifrões e alguma vaidade mal escondida. Recordo que uma boa gestão autárquica é um dever e não um mérito. Scaryyyy

 
- Una biblioteca de Granada (Cenes de la Vega) rechazó la oferta de un libro, diciendome que no solian acceptar de personas individuales!?! He ofrecido antes docenas de libros a la biblioteca de Monachil (donde, por cierto, me atenden mucho mejor). No deberia una biblioteca publica aprovechar ofertas de particulares y asi evitar sobrecargar el erario publico?!
Ai cosas que no tienen sentido y hay empleados que no tienen brío profesional!!

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Últimas de Espanha e do mundo... - Crónica 61

Notícias de finais de Dezembro de 2013

5% de pobres energéticos em Espanha (1,4 milhões de espanhóis a quem foi cortada a luz)

Teletuby acusado de homossexual. Bob Esponja acusado de propaganda política tendenciosa. Alcaide de freguesia de Madrid, alcoolizada, atropela transeunte…

47 milhões de deslocados no mundo devido à guerra, desastres naturais…


Mikhail Kalashnikov faleceu: milhões de espingardas automáticas AK47 foram produzidas desde a sua criação e milhões de pessoas foram mortas por esta arma. Kalashnikov: um sucesso ou uma vergonha?!

 

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

China, um mal necessário – Crónica 60

O título completo poderia ser: China, um mal necessário. Botella, um mal prescindível!
Na verdade o mal ‘China’ não é absolutamente necessário. É necessário, infelizmente e apenas, para trazer uma lição à humanidade, ou melhor, ao mundo do capitalismo desenfreado.
A desvantagem deste mal é, evidentemente, que aumenta significativamente a agressão ao ambiente do planeta e concorre para a crise económica em muitos países ocidentais.
A necessidade deste mal é a lição que traz ao sistema capitalista (além da redução da pobreza de parte da população chinesa), com a própria ‘medicina’ deste, mostrando-lhe que um sistema baseado na produção massificada, nas economias de escala, nas deslocalização com base na busca da mão-de-obra mais barata… não é sustentável para o planeta nem beneficia o futuro das sociedades que não podem, nem devem, competir nessa mesma linha.
Já não era justo que o mundo ocidental gozasse do nível de vida que gozava enquanto muitos outros países, sobretudo de África e sudeste asiático, além de verem que lhes exploravam os recursos naturais, vivessem em estado de miséria… Mas agora a situação pode inverter-se, o que também não é justo para muitas famílias ocidentais, que de repente se veem sem meios para sobreviver numa sociedade que exige que se os detenha só para existir. Nem quero imaginar as consequências mundiais quando a máquina de produção chinesa espirrar…

A referida ‘medicina’ (a fuga para a frente do sistema capitalista) não cura, ou cria mais problemas do que os que cura. Como afirmou o novo Papa: o sistema capitalista mata. A senhora Ana Botella (presidente da Comunidade de Madrid) disse (final Nov.13), por seu lado, disse que os períodos de governo do Partido Popular (política de direita neoliberal) foram os de maior crescimento da humanidade. Pode ser que sim, mas foram também os que criaram maiores desigualdades sociais e maiores atentados ao ambiente (para não falar em corrupção e atentados às liberdades individuais). O que esta senhora, que fossilizou em meados do século passado (ela garantiu que nunca se dedicaria à política), não quer saber (ou talvez não alcance) é que o paradigma da humanidade mudou há mais de 20 anos: o mundo já não necessita ou pretende ‘o maior crescimento’ ou o crescimento a qualquer preço, mas sim um desenvolvimento sustentável; e isto requer um maior rigor e justiça fiscal, maior controle dos fluxos financeiros, e políticas de âmbito social – tudo o que a ideologia de direita não deseja ver assegurado. Para o crescimento se converter em ‘desenvolvimento’ deve ser mais justo e igualitário (melhor distribuído) e necessariamente suceder a ritmos mais reduzidos para poder ser mais constante e sustentável - a bem do planeta e das populações.

Os dados já existem há muito tempo, só não vê quem não quer (recorde-se que também Aznar, o marido de Botella, desprezou o ambiente e depois foi responsável de uma controversa instituição que repartia fundos para palear desastres ambientais)! Seguramente a sra. Garrafa não é uma grande leitora, mas aconselho-a a ler, por exemplo,The end of poverty’ (Jeffrey D.Sachs), ou como a pobreza extrema pode ser debelada; ‘Limites à competição’ (Grupo de Lisboa) e The spirit level’ (Richard Wilkinson e Kate Pickett), onde se demonstra claramente o porquê de a ‘igualdade’ ser muito mais beneficiosa para todos do que as diferenças levadas ao limite pelo excesso de competição; e já agora também ‘Why kindness is good for you’ (David Hamilton), que lhe mostrará as vantagens da bondade e gratidão para a saúde de cada um e de todos!

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Espanha – ironias e vergonhas – Crónica 59

Ironias e extravagâncias dos temas atualmente em discussão pela sociedade espanhola…

- Indigna-me mais a dor infligida pelo desahucio (despejo) de uma pessoa em Espanha do que a dor pelas feridas causadas pelas ‘cuchillas’ ou concertinas para travar os imigrantes ilegais na fronteira de Melilla.

- Os esforços dos espanhóis “serão recompensados com ‘creces’ (acréscimos ou juros) no futuro”, disse o presidente Rajoy. Sim, com certeza cada espanhol será recompensado no céu, com sete virgens para cada um! Onde é que já ouvimos isto!?

- O atual sistema mata! “O capitalismo mata”, terá dito o Papa Francisco!

- As elétricas espanholas cortam a luz a 47 mil lares no que vai de ano (1,5 milhões em 2012) por falta de pagamento da fatura de consumo.

- A senhora Pilar Albert interrompeu na rua a princesa Letizia para lhe expor os problemas de que padece… Segundo o projeto de lei de ‘seguridad ciudadana’ (ou ‘lei da repressão’, como lhe chamam outros - o maior atentado à liberdade de toda a história da democracia) do Partido Popular no governo, talvez a sra. Pilar se arrisque a ser multada por ‘scratch’ (nome dado à ação de falar mais alto que um político) …


- Transparência Internacional diz que Espanha é o segundo país do mundo (em 1º está a Síria!) onde mais aumenta a perceção de corrupção (03.12.13)! O relatório CIS corrobora ao constatar que a corrupção se converteu no segundo maior problema para os espanhóis (depois do desemprego e à frente da crise económica!). Depois da série de escândalos que envolveram toda a linha de responsáveis do PP, o partido no governo mal tem legitimidade para existir quanto mais para governar…

- 7 demissões consecutivas de altos cargos das Finanças espanholas (Agência Tributária) devido a ingerências políticas que resultaram em pressões, desautorizações e dualidade de critérios em casos de fraude: anulação (ou perdão) de uma sanção milionária (€450M) à multinacional do cimento Cemex; aceitação de faturas falsas da infanta Cristina como válidas para não ter que a incriminar; … entre outros.
A Justiça espanhola está em causa: nos EUA o caso Madoff foi julgado (e punido) em 4 meses; em Espanha o caso da rede de corrupção Gürtel leva mais de 4 anos e meio…

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

O pior de dois mundos – Crónica 58

Nos anos 90, um homem de nacionalidade alemã a residir no Algarve dizia-me que estava ‘por aqui’ (fez o gesto da mão a passar pela testa) da Alemanha e das suas leis e controles, e por isso se tinha mudado para o sul do nosso país… Hoje recordo-o porque a presente reflexão me fez pensar que, com tantas regulamentações e controles, as coisas na Alemanha e países do norte da Europa ‘funcionam’! Naquela altura, nos países do sul como Portugal e Espanha (ou mesmo todos os do denominado ‘Club Med’), embora as coisas não funcionassem muito bem e se verificasse já um elevado índice de corrupção ao nível das ‘classes’ dirigentes, o controle e as regulamentações eram mais relaxadas e a população que não se implicava podia esgrimir um “desde que me deixem em paz” para continuar a viver a sua vida sem se incomodar demasiado…
 foto: Diário do Verde
 
Hoje, no entanto, com a tendência de aproximação das nossas leis às dos países ‘desenvolvidos’ e/ou subjugação às imposições da União Europeia, começamos também a estar ‘por aqui’ das regulamentações e perseguição do nosso Estado. Este entra, sem pedir licença, nas nossas casas e algibeiras, com a agravante de que aqui o acesso à participação da população na política se mantém controlado (tudo o que não venha da órbita dos partidos políticos ou da capacidade de ‘negociação’ e lobbying dos grandes grupos económicos, simplesmente não avança/funciona), ao mesmo tempo que continuamos a assistir ao deprimente espetáculo da corrupção no seio das ‘classes’ dirigentes, e ao da sua impunidade devido à ‘ineficácia’ (propositada?) da Justiça.

É por isto que Portugal e Espanha (extensível a Itália e Grécia) vivem o pior dos dois mundos: o pior dos países desenvolvidos com o seu excesso de regulações e controle, mas num Estado que não sabe ou não quer permitir que a sua população beneficie disso, que torna sufocante a sua pressão ao intrometer-se com duvidosa legitimidade nas suas vidas privadas (controlando o teu acesso à conta bancária; dizendo-te como educar os teus filhos; impondo-te o número de animais que podes ter; despejando-te de casa…) e esconde a sua incompetência na burocracia; e o pior dos países subdesenvolvidos com os seus elevados níveis de corrupção (por parte da mesma elite que ‘constrói’ as leis mas que também as sabe contornar e beneficiar delas) e os seus procedimentos para obstaculizar à participação ativa da população no processo governativo.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Mais proteção aos… mais protegidos! - Crónica 57

Na semana passada foi assassinado um agente de execução tributária. O único que ocorreu à ministra (e a outros dirigentes) foi: legislar para aumentar a proteção do agente! Como se fossem as palavras escritas num calhamaço, que cada vez menos os cidadãos conhecem, o que aumentasse essa proteção, e como se não houvessem outros problemas a montante.

 (foto: Publico.pt)
É típico do Estado português proceder de ânimo-leve a este tipo de execuções fiscais escudando-se na lei: levam-se casas e outros bens como se tratasse apenas de retirar um doce a uma criança porque este lhe faz mal aos dentes ou estômago, com a subtileza de um elefante numa montra de porcelanas. Veja-se a forma típica de atuação da ASAE, ou recorde-se a condenação do Estado português pelo TEDH, Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, por violar o art.6º da Convenção Europeia dos Direitos do Homem - todos os cidadãos têm “o direito de ter a sua causa tratada… dentro de um prazo razoável” (JN, 05.12.12). Os tribunais tinham demorado 5 e 10 anos para sentenciar os casos de uma cidadã e de um casal. Pagámos 8500 euros a cada queixoso.

Porque é que não ocorre a nenhum governante perguntar-se sobre o que terá levado um individuo a recorrer a uma arma de fogo para ‘resolver’ o seu problema!?! Provavelmente o homem sofria algum desequilíbrio, mas muito provavelmente agiu também em desespero. Então, a questão deveria passar a ser: de que forma é que uma decisão de um tribunal, e consequente atuação de agentes de execução, levam um individuo ao desespero e que alterações se poderiam promover para o evitar. Muito provavelmente o problema resultou da forma de atuação e não da decisão legal. Ou seja, porque não passar a tratar as pessoas como pessoas e não como ‘animais’ que ‘incomodam’ o sistema!?

De facto, corremos o risco de que com o aumento deste tipo de pressão social, e de imposição do Estado, aquele tipo de casos se venha a multiplicar, independentemente das alterações à lei.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

O ‘mnha’ e as TVs nacionais - Crónica 56

O inventor do termo, ou melhor, deste irritante ruido bisilábico destinado a ganhar tempo durante entrevistas ou relatos foi o pivot da … (de qual dos canais?), José Alberto Carvalho. Falo da expressão mnha (cuja derivação pode ser também mnhe). Tal foi a sua difusão entre os atores dos media que, hoje em dia, qualquer jornalista/locutor que se preze não prescinde de utilizar a palavra(?) mnha um par de vezes durante o seu direto. O campeão, atendendo ao número de utilizações do mnha, passou a ser o locutor da TSF, Paulo Cintrão. Não falta um mnha em cada frase sua!
No afã de deixar uma marca pessoal no panorama das comunicações a nível dos media, inventam-se novos termos e expressões e estas, por alguma espécie de osmose verbal, pegam com a facilidade de uma Trepadeira em Sintra e sem discussão. Aqui vão alguns exemplos, passado que está (ou quase) um dos últimos que foi ‘desportos radicais’ (designação destinada a empolar jovens destemidos e a assustar idosos e inativos).

‘Nadador-salvador’: o termo é tão específico que não sei onde o encaixar (para além do âmbito praia) mas um rapaz brasileiro considerou-o de tal forma rebuscado e longo que só lhe ocorreu dizer “Pô, quando um cara acaba de chamar esse nome já tá morrendo afogado”!

‘Janela de oportunidade’: termo normalmente aplicado a atividades dependentes da meteorologia mas rapidamente adaptado para a economia, para o futebol e outros âmbitos…

‘Coredor’ (sim, não é ‘corredor’ é coredor): é o termo preferido, aplicado duas vezes em cada frase, por um comentador desportivo da TSF (havia um outro que dizia 'carborizar' aplicado à prestação de jogadores de futebol).

‘Meios aéreos’: é o termo mais em moda, sobretudo em época de incêndios, e talvez o mais desnecessário. Pergunta a jornalista: “E quantos meios aéreos têm no apoio?” Responde o bombeiro: “Um meio aéreo em operação. E outro meio aéreo a caminho”. Pergunta a jornalista: “E que tipo de meio aéreo?”. Resposta: “O meio aéreo em operação é um helicóptero e o meio aéreo que vem a caminho é… outro helicóptero”. Conclusão: muitas vezes é preferível dizer logo que se tem x aviões e y helicópteros do que andar a brincar com os meios aéreos!  

Por coincidência ou talvez não, tal como o ‘fundador’ do mnha pululou de canal em canal, também a programação dos 3 principais canais nacionais é estranha e diabolicamente similar: dos diretos musicais popularuchos, a partir de aldeias do interior, que ocupam toda a tarde do fim-de-semana; aos noticiários que difundem exatamente as mesmas notícias e entrevistas; aos intervalos de publicidade que coincidem no tempo e são preenchidos pelo mesmo anunciante! Para não falar daquela série que tem um cão polícia mais inteligente que o dono e que agora tem uma versão portuguesa que passa num canal concorrente exatamente à mesma hora do original!
Penso que é por isto, para não morrer de tédio e estupidez, e por nenhuma outra razão que muitos portugueses aderem aos canais por cabo. A grande esperança que era a RTP2, transformou-se agora num canal infantil (com um ‘Zig Zag’ que dura todo o dia). E os miúdos necessitam disso? Aliás, os pais delas aprovarão?
Ainda se discute como reorganizar os canais ‘temáticos’ da RTP… Sou da opinião de juntar a RTP Internacional, África e Noticias num só (partilhando o tempo de emissão) e acabar com a RTP2!

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Capitalismo, saúde e felicidade… - Crónica 55

Hayek, o proeminente economista austríaco, terá dito em 1932: «Temos a opinião de que, atualmente, muitos dos problemas do mundo são devidos a endividamento imprudente e a gastos imprudentes por parte das autoridades públicas». No ano seguinte, Marriner Eccles, o banqueiro mórmon do Utah, afirmou que «A economia do século XIX já não serve os nossos objetivos – uma era económica com 150 anos de idade chegou ao fim. O sistema capitalista ortodoxo de individualismo incontrolado, com a sua concorrência livre, já não serve os nossos fins.» (em ‘Keynes/Hayek’, de Nicholas Wapshott)

Quase um século depois estamos a viver uma crise semelhante à da Grande Depressão (pós crash de 1929) mas parece que não aprendemos nada com a história. “Repetimos sempre os mesmos erros”, escuta-se quase no final de ‘Cloud Atlas’, um excelente filme (agora nos cinemas) que denuncia as atrocidades dos interesses das petrolíferas.

 
Como se não bastasse, agora temos a prova dos malefícios sociais e mentais provocados pela iniquidade e desigualdade.
Já Alexis de Tocqueville (1805-59) tinha concluído que não são os níveis médios de bem-estar económico que criam confiança, mas sim a igualdade económica: as diferenças materiais só “servem para dividir-nos socialmente”. Agora, os dados apresentados por Richard Wilkinson e Kate Pickett (em ‘The spirit level’) demonstram claramente o porquê de a ‘igualdade ser melhor para todos’ - a ‘igualdade’ é muito mais beneficiosa para todos do que as diferenças levadas ao limite pelo excesso de competição (este trás à tona as piores qualidades do Homem).
Se a relação entre a saúde e a felicidade não é direta, a relação entre saúde e desigualdade, sim! Esta afeta a saúde: “Sabe-se desde há alguns anos que falta de saúde e violência são mais comuns em sociedades mais desiguais”. Agora, António Palha, presidente da comissão organizadora do 8º Congresso Nacional de Psiquiatria, vem alertar para que “a crise pode aumentar as patologias” da saúde mental (DN, 30.11.12) … É que, também já sabemos, o stress psicológico prolongado afeta a maturidade dos humanos e pode causar a sua regressão (ao matar neurónios do hipocampo - a parte decisiva para a aprendizagem e memória).

Estes motivos, são suficientes para defender sociedades mais igualitárias, justamente o contrário do que promovem os nossos ‘imprudentes’ e ignorantes (pois não atendem às lições da história) governantes, alegremente manipulados por um capitalismo desenfreado…

Estes temas são abordados no livro ‘As manias da Paula e as maiores tolices do mundo’ (encomendas ao autor, a 12€ com entrega em mão, ou em http://www.bubok.pt/livros/4919/As-Manias-da-Paula-e-as-Maiores-Tolices-do-Mundo).




 

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Justiça perversa! - Crónica 54

A maior injustiça da ‘Justiça’ é que esta culpe inocentes, mas tão mau como isso é que utilize dualidade de critérios no intuito de proteger prevaricadores!

Dois casos ilustrativos passados na Grécia e Itália, que mais parecem típicos de Portugal:
- Um jornalista grego, Costas Vaxevanis, foi acusado de crime por divulgar uma lista com 2059 nomes de empresários, advogados, armadores, médicos e políticos, seus concidadãos, com contas na Suíça! Por um lado as duras políticas de austeridade e, por outro, a evasão fiscal dos ricos e poderosos…
Hmm, deixem-me ver!? Quem é que vamos perseguir e tramar?! … o jornalista!!!
“Em vez de lutar contra os crimes de fraude ao fisco, a justiça ocupa-se de mim, que só me limitei a cumprir o meu dever, o dever de transparência”, terá dito Costas. Ora, a lista foi divulgada por um empregado do banco suíço HSBC e já tinha sido enviada ao governo grego em 2010, por Christine Lagarde (atual diretora do FMI) quando esta era ministra do governo francês. Aparentemente na altura nada foi feito!

Também em Espanha foi recentemente divulgada uma lista semelhante que conclui que 569 políticos espanhóis possuem contas secretas na Suíça (segundo Silvia Pons Olivier, para o New York Times). O New York Times recordou que a informação sobre a ocultação das contas pessoais de Emílio Botín (um dos homens mais ricos de Espanha) foi revelada por um empregado do HSBC após ser despedido. Além de Botín, e sua família, outras 568 pessoas têm contas secretas na Suíça. Entre elas, diversos grandes nomes da vida política e empresarial espanhola (segundo um artigo do sociólogo Vicente Navarro): Artur Mas - o pai do presidente da Generalitat (não faz lembrar a história do Isaltino?!) -, José Maria Aznar (que surpresa!), Maria Dolores de Cospedal (tão santinha que parecia no governo), Rodrigo Rato, Miguel Boyer…
O volume de dinheiro evadido desta forma representa 74% da fraude fiscal em Espanha, segundo a Agencia Tributaria (cerca de 44 mi milhões de euros), no entanto, a maioria das investigações da ‘Fazenda’ recai sobre os autónomos e os profissionais liberais, grupo cuja fraude fiscal representa 8% do total.

Isto não é o cúmulo da perversão!?! Agora, em termos de efeitos práticos…
- Seis - - - Seis sismólogos italianos foram condenados por não prever o terramoto de L’Aquila que, em 2009, vitimou várias pessoas… Os meios científicos mostraram a sua indignação: sabe-se que a ciência ainda não consegue prever sismos com todo o rigor. Carlos Fiolhais, no jornal Público (31.10.12), abre a caixa de Pandora questionando:
“Todos sabemos que, nos terramotos económicos a que temos assistido em Portugal e em Itália, os responsáveis políticos não têm sido acusados de qualquer crime, por ação ou inação. Deveriam ser?”

Iniquidade e perversidade têm caracterizado esta Justiça. Em Portugal acresce a inoperância! Investigar a fraude fiscal da maior fatia do total da evasão e chamar à Justiça os responsáveis é não só imperativo como o modo mais eficiente de repor a equidade.
“Nos últimos 10 anos o Estado gastou 8,5 milhões com pensões de 383 Deputados e 5 milhões de euros com 22.311 pensionistas que ganham até 217 euros” (www.fb.com/demissaopassoscoelho). Investigar sobre o realismo e justiça destes números é um imperativo, e uma forma de mitigar a perversidade do sistema.

sábado, 6 de outubro de 2012

Montanhas e actividades 'ilícitas'... - Crónica 53

Estes tradutores automáticos disponíveis no Office (e na net) são bizarros mas mesmo assim há quem se fie neles, na esperança de que o resultado seja inteligível!

No meu livro ‘Horizonte Branco’ (a sair muito em breve) falo de vários locais por esse mundo fora. Para Charrapunji, o lugar mais húmido do mundo, na Índia, a sugestão de correção foi: ‘farrapinho’!!! Ok, é mesmo parecido!

Já para Snowdonia, o pico mais elevado de Gales, e o segundo do Reino Unido, a sugestão foi um pouco mais comprometedora! Neste caso, muito cuidado, por exemplo, a quem pretenda dar uma classe de geografia para miúdos, utilizando este avançado meio de comunicação. Estive naquele cume montanhoso, mas não tenho nada que ver com a correção proposta que é nada mais que… ‘sodomia’!?!

domingo, 16 de setembro de 2012

Crónicas do Algarve... - Crónica 52









Tesouro esquecido:

Na grande figueira sobre a falésia da praia do Camilo, eu e outro homem estamos empoleirados a colher figos. A mulher deste pergunta ingenuamente: “não será crime?”. Crime é deixá-los cair de podres, respondo eu para o ar. Noutra figueira próxima, igualmente bem abastecida, as ramagens tocam o chão e entre elas, muito papel higiénico!
Ou seja, o tesouro que as pessoas descobriram nestas árvores não é o do néctar que ela nos oferece uma vez por ano mas sim o de refúgio para largar as necessidades… (mesmo que depois comprem o quilo a 5 e 6 euros no supermercado)!

 
Costa de Lagos:

Um novo comandante da Polícia Maritima do Barlavento foi empossado há uma semana, em Portimão. Diz ele que vai manter “tudo igual”.

Semanas antes ouvi por interposta pessoa que um oficial da Marinha se referira ao projecto Paraguaçú de travessia oceanica com um desdenhoso: essas coisas “só nos dão é trabalho”. Pois eu também acho que a Marinha custa muito trabalho ao país! Sabe-se muito pouco daquilo que fazem para além do que gastam em manter onerosas frotas e oficiais em excesso com demasiadas regalias.

O que aquele novo comandante no fundo veio dizer foi: “não vou fazer nada”! Pois eu gostaria muito de deitar mão ao caos que vai na costa de Lagos à conta dos barcos turisticos: a primeira medida seria estabelecer cinturas de circulação com distâncias crescentes relativas às zonas de banhistas, de acordo com a potência dos motores e número de pessoas que transportam. Quanto mais barulhentos mais longe das praias…


Pobres e ecológicos:

No final da ponte estava um homem sentado no chão, boné e muletas ao lado, a mendigar. Despreocupado, lançou uns papéis ao rio! Quis intervir, dizendo “não era preciso fazer isso…”, mas imediatamente me detive. Claro que ao pobre homem, preocupado em sobreviver mais um dia, a poluição e o ambiente não o preocupam. Isso deve ser ‘coisa de ricos’, pensará ele. E tem a sua razão! Como queremos educar a nossa população para as questões ambientais se uma considerável fatia está tão justamente preocupada em ‘chegar ao fim do mês’!? O que é que a expressão 'ecologia' ou ‘reciclagem’ pode ter a dizer a alguma destas pessoas?!

Nestes dias de reivindicações ao Governo, os pobres e os ‘conscientes’ clamam por mais justiça e igualdade. Em Lagos vejo um 'iatista' pagar 3 mil euros de reparações sem pestanejar; vejo um veleiro tão bem ornamentado que cada bóia de amarração (e tem umas 10, pelo menos) veste o seu próprio e dispensável ‘jersey’ com um preço unitário que dava para vestir da cabeça aos pés qualquer necessitado não caprichoso; vejo um enorme iate, bem feio por sinal, registado em Lisboa e com o nome de ‘Bandido’ – e não consigo evitar pensar no proprietário… utilizando o mesmo adjectivo!

 
Miragem:

Ao passar no meu barquito a remos frente a uma enseada entre a falésia, vejo na areia um par de nudistas. Nada de mais. Como de costume dou um mergulho em direção à praia. Ao aproximar-me da margem reparo que são duas ‘fêmeas’! Não há mais ninguém! Mas isto ‘é o sonho de qualquer homem’ – exclamaria o Fernando Alvim (e eu também)! O coração bate disparatadamente mais forte à medida que me aproximo a nadar (uma remeniscência do killer instinct primitivo). A expectativa faz mexer os neurónios… mesmo sabendo que nada vai acontecer! Não é assustador tomar consciência que, como concluiu Ranulfo Romo, a imaginação é muito mais potente do que a realidade como motor do nosso prazer!? É como se de uma droga interna se tratasse. Romo relacionou as expectativas, do ponto de vista neurofisiológico, com a maturidade do cérebro e com a felicidade: ele próprio, do que mais gostava não era falar perante auditórios nem escrever os seus artigos mas sim deter-se um instante e viver no interior do seu cérebro para “visitar os amigos… detectar detalhes… recuperar a vida, recreá-la…”. As nudistas, é ‘claro’ que eram estrangeiras (no caso alemãs). Afinal, estamos no Algarve! Miragem sim, mas não tanto!

 

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Porque está cara a gasolina? - Crónica 51

Porque é que a gasolina está cara? Simplesmente porque de facto ela ainda é barata para alguns! Explico: a maioria acha que a gasolina está cara e tenta reduzir o seu consumo para poupar, mas para uma minoria o preço daquela é indiferente e como tal continuam a usá-la como se nada se passasse. Mais, esta minoria consome uma exorbitância por pessoa. De tal forma que o seu consumo por pessoa pode igualar o de dezenas de consumidores ‘normais’ ou, o mesmo que centenas ou milhares de habitantes de países subdesenvolvidos de África.

Quando escrevo isto estou a pensar na quantidade de barcos a motor de lazer, de luxo, que se exibem na costa algarvia. Numa feira náutica em que estive presente, em Lisboa, um representante de motores para barco mostrou-me um exemplar que consumia 60 litros por minuto!!!

É para haver combustível suficiente para estes proprietários consumirem que a gasolina está tão cara para a maioria! Para aqueles, continua a ser barata!

Isto será assim até que se implemente um sistema que regule o consumo desnecessário (ou de lazer), atribuindo a cada pessoa a sua quota de consumo indispensável, a preços razoáveis, para além da qual os preços pudessem então subir para se adequar à procura.

Em ‘As Manias da Paula e as Maiores Tolices do Mundo’ (http://www.bubok.pt/livros/4919/As-Manias-da-Paula-e-as-Maiores-Tolices-do-Mundo), defendi que, se vigora uma lógica do utilizador-pagador nas auto-estradas do país, então “quem mais consome um bem escasso comum, ou quem mais polui, mais deve pagar também! A lógica das economias de escala e dos descontos de quantidade tem que ser invertida no caso dos recursos escassos e bens/matérias-primas cuja obtenção/transformação/consumo causa poluição” e, portanto, um dano a terceiros!

terça-feira, 15 de maio de 2012

Crise é crise...! - Crónica 50

Uma senhora escreveu ao presidente Cavaco Silva a dizer que já só tomava banho uma vez por semana!
Pessoas contaram-me que põem a máquina de lavar roupa a funcionar menos vezes e com programas de tempo mais curtos. Contaram-me que em Lisboa já se vê muita gente a almoçar de marmita, dentro do automóvel. Contaram-me também que muita gente aproveita uma boa descida para engatar o ponto-morto e deixar o carro deslizar... Isto para elencar apenas alguns exemplos de novas formas forçadas de poupança.
Não me surpreende! Crise é adaptar-se à escassez!
Nos semáforos arranco devagar, sem esticar as mudanças, para poupar no exorbitante preço do litro de combustível.
O ‘engraçado’ (ironia) é que hoje, ao contrário de há 20 anos, já não compensa viajar de comboio: agora, nos meios de transporte público, outrora acessíveis, temos que pagar os elevadissimos salários de numerosos administradores dispensáveis e os lucros de 2 dígitos definidos nos objectivos de ‘gestão privada’ e requeridos pelos agressivos acionistas...

Comprovei que muitos levam a marmita! (até já vi quem durma no carro, mas sobre isso prefiro não especular). Descobri que muitos conduzem como eu: ponto-morto e arranques suaves!
Mas, ontem fiquei a saber que este tipo de condução irrita alguns, a quem a crise parece não afectar: arrancando devagar o meu pesado veículo num semáforo da marginal (duas vias no mesmo sentido), sái detrás de mim um condutor com uma aceleração de fazer chiar os pneus e deixar fumo no ar, exibindo a potência de cavalos do seu Mercedes imune à crise, como que dizendo “tira essa carripana da minha frente”! Eu não pretendo ter uma viatura veloz e exclamo para mim “não vejo aqui nenhum Ferrari”, ao mesmo tempo que prossigo no meu andamento, entre o possível, devido ao peso, e o poupado, devido ao elevado consumo! Mais adiante ele teve que travar (gastando mais pastilhas) porque na marginal há filas e circula-se devagar!
Um chamamento à razão impõe-se, no entanto. Donos de automóveis alemães, e de outros de alta cilindrada, com nervoso miudinho e pé pesado, não vos exalteis por ter à vossa frente um carro mais lento, ainda que seja uma pesada caravana de 3.500kg...! É que, caso não tenham notado, muitos já esgravatam no fundo dos bolsos para encontrar as moedas que permitem abastecer mais umas gotas de combustível para continuar a circular!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Chouriços e políticos - Crónica 49

As palavras referem-se a temas abordados em ‘As Manias da Paula e as Maiores Tolices do Mundo’ - sinopse e encomendas em http://www.bubok.pt/livros/4919/As-Manias-da-Paula-e-as-Maiores-Tolices-do-Mundo -, não que haja semelhanças, entenda-se!
Os seguintes nomes de políticos, autarcas, empresários, jornalistas, humoristas, etc. são os dos portugueses mencionados neste livro – alguns deles nem sempre pelos melhores motivos...
Alberto João Jardim, Alberto Martins, Álvaro Barreto, Amadeu Garcia, Américo Amorim, Ana Sá Lopes, Ângelo Correia, António Costa Pinto, António Gomes, António José Seguro, António Mendonça, António Mexia, Armando Vara, Bruno Nogueira, Carlos Daniel, Carlos Malato, Carlos Melancia, Carlos Mendes, Carvalho da Silva, Catalina Pestana, Catarina Furtado, Catarina Madeira, Clara Pinto Correia, Clara Ferreira Alves, Daniel Bessa, Daniel Oliveira, Dias Loureiro, Eduardo Prado Coelho, Elisabete Alves, Fátima Felgueiras, Fernando Alves, Fernando Gomes, Fernando Mendes, Fernando Pessoa, Fernão de Magalhães, Ferreira do Amaral, Filipe de Button, Francisco Louça, Henrique Raposo, Herman José, Isabel Tavares, Isaltino Morais, Jerónimo de Sousa, João Baião, João Cravinho, João Marques Vidal, João Pinto e Castro, João Silvestre, Jorge Coelho, Jorge Gabriel, Jorge Viegas Vasconcelos, José Alberto Carvalho, José Eduardo Moniz, José Fragoso, José Rodrigues dos Santos, Judite de Sousa, Luis de Mascarenhas Gaivão, Manel Tavares Silva, Manuel Alegre, Manuel Ferreira Oliveira, Manuela Moura Guedes, Marcelo Rebelo de Sousa, Márcia Galrão, Marinho Pinto, Mário Crespo, Mário Soares, Miguel Macedo, Miguel Portas, Miguel Sousa Tavares, Moita Flores, Nicolau Santos, Nuno da Câmara Pereira, Nuno Markl, Paulo Morais, Paulo Portas, Paulo Rangel, Pedro Afonso, Pedro Barros Costa, Pedro Mexia, Quico Tavares Silva, Rita Silva, Rui Goulão, Rui Pedro Soares, Rui Ramos, Sofia Pinto Coelho, Susana André, Teófilo Santiago, Vale Tudo Azevedo, Valentim Loureiro, Vicente Jorge Silva, Zeinal Bava, Zé Sócrates!
(Chorizo, designa também um ladrão, em espanhol)
Foto: 'Jamón' Ibrérico que de tão velho já tem verdete e cheiro a bafio... publicidade enganosa como... a política!!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

As Manias da Paula e as Maiores Tolices do Mundo - Crónica 48

Trecho do novo livro (sinopse e encomendas: http://www.bubok.pt/livros/4919/As-Manias-da-Paula-e-as-Maiores-Tolices-do-Mundo ):«O Grupo de Lisboa já advertira, nos anos 90, para a necessidade de impor ‘limites à competição’ (o título do livro). Geraint, convencido de que “todas as formas de competitividade derivam de sentimentos de inadequação e insegurança...”, explica (em ‘Cityboy’) como essa mesma competitividade “está a lixar este lindo planeta”. As conclusões das entrevistas de Richard Conniff (em ‘História Natural dos Ricos’), expuseram as estranhas condutas exibicionistas dos detentores de riqueza. A investigação de David Owen, identificou as discapacidades dos decisores. Os relatórios de Malcolm Gladwell (em ‘Tipping Point’) evidenciam como o mal causado por uns poucos pode infligir consequências tremendamente negativas a tantos outros (regra 80/20). Os dados apresentados por Richard Wilkinson e Kate Pickett (em ‘The spirit level’) demonstram claramente o porquê de a ‘igualdade ser melhor para todos’ (o sub-titulo do livro)...
Se nos lembrar-mos da herança das décadas de ditadura paternalista vividas em Portugal e se a todos estes dados somar-mos: a falta de ética dos políticos e o “desenfreado, e abusivo desavergonhado abocanhar do erário público”; a actual “asfixía democrática” (M.F.Leite) e a “contemporização com as ‘faltas’ das altas individualidades” (pelos cidadãos e pela Justiça); a referida sociedade “entranhada e nepótica” que serve a clientelas, e a postura impositiva do ‘eu quero, posso e mando’ que impera no sistema de Justiça (e na Administração Pública em geral), em vez da lógica de serviço ao cidadão (Marinho Pinto, TSF, 14.11.11); aos números que reflectem uma sociedade doentia com baixos níveis de ‘felicidade’, então talvez tenhamos a explicação dos desenvolvimentos que oprimem e tolhem a capacidade de participação dos cidadãos, transformando e descaracterizando o país (que apresenta uma visível falta de mobilização, de iniciativa e até de personalidade – refiro-me à expressividade de um povo reflectida, por exemplo, na alegria das suas manifestações populares, que definem a sua cultura), e o porquê de se estarem a criar as condições “que favorecem uma decadência neuronal colectiva...” (Pedro Afonso)! Isto não é mera especulação. Hoje sabemos que o stress massivo imposto a animais (em experiências com ratos e babuínos) pode afectar inclusive o tamanho de regiões cerebrais como o hipotálamo (envolvido no controle de emoções, actividade sexual, fome, sede, humor, entre outras). Nos humanos há ainda que somar que situações de stress psicológico prolongado não só afectam a sua maturidade como podem causar a sua regressão.
Agora, se quisermos averiguar as consequências da ‘injustiça’ e da ‘infelicidade’ que daqui pode resultar, podemos recorrer a Frederick Douglas (1886) que escreveu: “Onde a justiça é negada, onde a pobreza é forçada, onde a ignorância prevalece e onde qualquer classe que seja é feita para sentir que a sociedade está numa conspiração organizada para oprimir, roubar e degradá-la, nem pessoas nem propriedade estarão seguras”; ou às conclusões de Punset, para quem as pessoas reacionam de forma diversa frente à infelicidade: da “resignação com que se aceita a aniquilação da vontade individual e do pensamento próprio, até à rebelião frente à injustiça”. Em qualquer dos casos, “o preço é muito alto”, seja se se opta por preservar a própria vida, seja se esta é posta em risco para “conseguir quotas de liberdade e de justiça mais amplas”. Também Geraint alega que “este sistema está a destruir o mundo” e as pessoas, e que ao consumir-mos mais e mais e ao criar “maiores disparidades na riqueza” isso “só pode terminar em derramamento de sangue ou em desastre ambiental”.
Insegurança, resignação, aniquilação, rebelião, desastre... , são alternativas demasiado ‘pobres’ no século XIX, não te parece? Isto é muito preocupante!»

Foto: Cheese rolling no Reino Unido (os concursos são um dos temas abordados)

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

As Manias da Paula e as Maiores Tolices do Mundo - Crónica 47

Está disponivel o meu novo livro... São 'aventuras' de um tipo muito diferente... Fica um trecho (sinopse e encomendas em: http://www.bubok.pt/livros/4919/As-Manias-da-Paula-e-as-Maiores-Tolices-do-Mundo):
A chuva de “Concursos-relâmpago” nas autarquias de há um ano atrás é apenas uma amostra disso: “Desde Agosto, as câmaras municipais portuguesas, endividadas até aos ossos, já abriram 82 concursos com carácter de urgente, no valor de perto de 100 milhões de euros. Com prazos, em muitos casos, de apresentação de propostas de não mais de 72 horas. Se isto não levanta dúvidas, não sei o que mais pode levantar”.Se bem te percebo, Paula, consideras mesmo que o novo fôlego da luta pelas autonomias se insere neste capítulo dos caprichos...

Paula, deixa-me tentar seguir o teu raciocínio, resumindo algumas das expressões mais ilustrativas que registaste: Seguidores de Freud descreveram os ‘acumuladores de riqueza’ como o «tipo anal», cujo impulso é amontoar dinheiro e bens por causa do seu atrofiado desenvolvimento emocional e de conflitos não resolvidos - Freud argumentara que coleccionar e acumular era um substituto da conquista sexual (Geraint sugere que “o ego de um homem está frequentemente na proporção direta e inversa da sua inteligência”).

“Os ricos conseguem mais açúcar que o resto de nós... E sempre que um animal consiga mais quantidade de um recurso, isto fará mudar a conduta do animal” (Richard Conniff). Glenn Weisfeld, psicólogo da Universidade de Wayne, acrescenta sobre a conduta que, «ser irrespeituosos é precisamente o que fazem os indivíduos dominantes». Os tiques e obsessões desenvolvem-se mais em crianças vítimas de pais autoritários e mães hiper-protectoras. As personalidades de tipo ‘triplo A’ (que consubstanciam aquela conduta) “erosionam a sociedade” (na Alemanha, por exemplo, a percentagem de chico-espertos e ‘triplos A’ é notoriamente inferior à dos países latinos)... Geraint Anderson adianta o exemplo da Goldman Sachs (ou ‘Sucks’ de ‘mete nojo’, como a ela se referiam na City) que revelava uma preferência por aqueles que foram provavelmente vítimas de bullying na escola (segundo alegadas informações de psicólogos ao departamento de RH do banco) - são estes quem mais estão dispostos a trabalhar até às 4 da manhã e aos fins de semana para terminar um trabalho pois estão “desesperados por provar-se a si mesmos”. Estes bancos e correctoras sabem que o sonho de todo o sabichão (‘geek’) vítima de bullying é ganhar suficiente dinheiro para conseguir aquela namorada vistosa e “comprar o Ferrari e depois certificar-se que os seus antigos atormentadores sabem disso” - como quem diz «Agora sou alguém! Sou um vencedor!» -, embora, no fundo, eles saibam que continuam a ser os “mesmos idiotas patéticos por dentro”.